A quantidade de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes registrados em Dourados tem chamado a atenção nos últimos dias. Foram, pelo menos, cinco casos noticiados pelo Dourados News em menos de um mês, sendo que destes, três foram somente esta semana. Em todos os casos, as vítimas eram pessoas próximas aos acusados de serem seus agressores.
“Não é que estão tendo mais casos, é que estão sendo mais divulgados agora, então acaba dando mais visibilidade à questão. Em Dourados, a quantidade de casos já é grande por só”, acredita Eloise Cunha Santana, coordenadora do Creas (Centro de Referência Especializado em Assistência Social), órgão municipal que presta assistência às vítimas e às famílias em casos como estes.
Segundo ela, a maior visibilidade não inibe, mas também não incentiva a denúncia de mais casos de violência sexual contra as crianças e adolescentes. Isso acontece que ainda há muita vergonha em realizar as queixas.
Essa vergonha parte desde as crianças ou adolescentes, que muitas vezes sentem culpa por terem sido abusadas. Ela ainda lembra que estes tipos de casos acontecem em todas as classes sociais e que há ainda por parte da família, uma prática de “abafar” este tipo de caso quando acontece, principalmente quando elas são de classe média ou alta. “Acaba ficando camuflado e não chega até a imprensa, mas acontece muito”, relata.
A coordenadora ainda lembra que pelo menos 95% dos casos acontecem com pessoas próximas ou que são da própria família da criança. Entre os exemplos, estão amigos, padrastos, vizinhos, pais, entre outros.
Para evitar que isso aconteça dentro de casa, ela acredita que a principal saída seja um olhar mais atento à criança, para perceber qualquer mudança de comportamento, muita conversa e orientação. Eloise lembra que é preciso conversar com os filhos e explicar o que é considerado abuso sexual, que isso pode partir de dentro de casa e mostrarem-se abertos para que eles relatem caso isso aconteça.
“Muitas crianças não relatam porque não sabem que estão sendo abusadas. São pessoas muito próximas, então muitas acham que aquilo é normal”, conta. Entre outros casos, o medo também é um inibidor. “Existem casos também daquelas vítimas que são ameaçadas pelo agressor para não falar”, conta.
Em todos os casos registrados nos últimos dias, as pessoas acusadas dos abusos eram próximas das vítimas. Por volta de 19h de quarta-feira (02), um homem de 26 anos foi preso acusado de estuprar uma menina de quatros de idade no Jardim Santa Maria, em Dourados. A mãe dela de 30 anos de idade, contou que mora com o acusado há dois anos, e o encontrou debaixo das cobertas com a menina. A criança estava com a calcinha abaixada e o homem excitado, relembre aqui.
No domingo (28), Maurinho de Souza, 29, foi preso acusado de abusar sexualmente de uma menina de sete anos de idade na aldeia Jaguapiru. Ele estaria morando com a mãe da criança há uma semana. No dia do crime, resolveu sair com a menina para comprar pão e no caminho, teria a arrastado para um mato, onde teria a abusado sexualmente, relembre aqui.
Na noite de sábado (27), outro caso já havia ocorrido. José Alves dos Reis, 39, foi preso acusado de favorecimento a prostituição e exploração sexual de vulnerável. Ele teria assediado com propostas e carícias sexuais, o filho de um amigo, que tem apenas 14 anos de idade, relembre aqui.
Casos de violência sexual, seja de abuso ou exploração, podem ser denunciados ao Creas através do Disque 100, inclusive de forma anônima, por pessoas da família ou próximas. O órgão tem equipe que pode checar a situação.
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