Vale tudo para ficar perto do ídolo, até ir à balada pela primeira vez aos 28

 

 

 

 

 

 

 

 

Na fila para o Meet & Greet, uma espécie de sessão de autógrafos em que o fã pode tirar fotos, conversar um pouco e até abraçar o artista, a psicóloga Talita Meireles, 28, era pura ansiedade. Controlava a respiração, distribuía sorrisos bobos e abraçava os amigos para distrair-se do que estava na iminência de acontecer.

“Gente, ainda não tô acreditando”, disse.

Era madrugada do último sábado (19). Assim como Talita, dezenas de pessoas que concordaram de pagar um pouquinho a mais para ficar frente a frente com a atração da noite aguardavam em fila pacientemente, numa espécie de backstage do club Daza. O ídolo, no caso, era a drag queen Alaska Thunderfuck, finalista da quinta temporada do reality show de maior sucesso entre o público LGBT no mundo inteiro, Rupaul’s Drag Race. Alaska foi a aposta do produtor Alessandro Veiga para encerrar a temporada de verão do clube que comanda na Capital. E Talita estava lá, grata à ousadia do produtor e ansiosa pelo momento único que teria com Alaska.

De repente, um produtor acena para Talita, que sobe as escadas. E ela finalmente fica frente a frete de Alaska. Sem reação, a não ser sorrir, Talita abraça a performer e entrega-lhe um presente que ela mesma fez. “Essa tiara representa a nossa cultura, as onças, os pássaros, a natureza”, disse a psicóloga, em inglês. E mal acreditou quando Alaska colocou a tiara na cabeça.

 

O momento mágico de Talita é apenas um entre milhões que acontecem todos os dias, quando uma pessoa comum depara-se com alguma celebridade que admira. O que ninguém (ou poucos) sabiam naquela noite é que Talita, 28, pisava pela primeira vez em uma boate. Ela nunca tinha ido numa balada na vida. Para ficar partindo de Alaska, precisou enfrentar alguns medos e preconceitos. Segundo ela, valeu a pena.

“Nossa, foi muito legal, ainda mais uma boate do público LGBT. Eu não esperava que fosse tão bom, que as pessoas fossem tão atenciosas e educadas. Eu trombei num menino e ele virou e pediu desculpas. Fiquei passada com isso”, revela.

 

 Guilherme Cavalcante)Guilherme Cavalcante)

 

 

Grande decisão

Quando o flyer da Daza anunciou que Alaska seria atração de março, Talita viu-se diante de um dilema. Mesmo sendo caseira, ir a uma boate iria exigir dela mais que boa vontade. “Tenho um pouco de agorafobia (medo de multidões) e como nunca fui a uma balada eu não sabia se estava dentro do meu limite. Mas era a Alaska, não tinha como não ir. Quando que uma drag superstar viria de novo a Campo Grande? Não tinha como arriscar”, disse.

 

 Alaska)Alaska)

A partir daí, foi incentivada por amigos a realizar o sonho. O noivo deu o ingresso para o Meet & Greet como presente de aniversário. Assim que ela chegou na boate, por volta das 2h da madrugada, recebeu um telefonema dele. “Sim, já estou aqui, não precisa se preocupar”, disse ao telefone. Estava acompanhada de dois amigos. Mais tarde, encontraria alguns outros amigos virtuais pela primeira vez.

 

“Ah, eu sempre fui muito de ficar em casa, de apenas ir para igreja, para a faculdade, para o mestrado. Mas foi no mestrado, mesmo, que eu comecei a estudar relações de gênero e rompi muitas barreiras. E aí conheci o Rupaul’s Drag Race. Eu sempre fui muito encantada pela cultura drag, pela cultura andrógina, então acabei me apaixonando também pelo programa. Quando soube da Alaska, que era uma das minhas competidoras favoritas, eu surtei, né?”, revelou.

Da entrada na boate até a fila do Meet & Greet, foram muitas emoções, digamos assim. “Eu dei uma ambientada antes, tinha medo de ter uma crise de pânico ou algo assim, mas fiquei realmente muito encantada com o local e com as pessoas. Quando eu entendi a dinâmica do lugar e que não corria riscos, sai da casinha. Dancei, procurei as outras drags para tirar foto. Parecia criança se lambuzando”.

O encontro com Alaska é guardado na memória. E em fotos, também, dezenas delas, que registram com clareza as emoções da psicóloga. “Foi muito bom, valeu muito à pena. Eu disse que ela me inspira como mulher. Isso pode parecer engraçado, mas é verdade, pelo poder que elas, drag queens, representam. Agora vai ter outras vezes, com certeza. Sai da casinha, e sei que tem um bar que está passando os episódios da temporada atual. Quero estar lá sempre, agora”, concluiu.

 

 

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