A primeira sessão da Câmara Municipal de Sidrolândia — cidade da região central de Mato Grosso do Sul — depois da Operação Dirty Pix, na semana passada, não atraiu público. Poucos cidadãos assistem à sessão desta segunda-feira (24).
A maioria dos presentes no auditório da Casa é composta de servidores, que tradicionalmente acompanham às sessões. A pauta da sessão não foi publicada.
Mais cedo, o presidente da Câmara, Otacir Figueiredo, o Gringo (PP), disse ao Jornal Midiamax que iria solicitar acesso à investigação do Gecoc/MPMS.
“Nós vamos solicitar todas as documentações do GAECO, porque o GAECO já tem feito esse trabalho. Até porque nós devemos sim uma resposta ao nosso município”, afirmou.
Na Casa de Leis, o clima ainda é de incerteza. “Se o GAECO está investigando é porque tem alguns indícios. Nada que justifique que eles de fato cometeram algo que gerou danos ao município. Então estamos certos de que a justiça precisa ser feita e confiamos bastante na justiça do nosso município”, avaliou Figueiredo.
Gecoc revela esquema de propina por Pix a políticos e presidente de hospital
A Operação Dirty Pix, do Gecoc/MPMS (Grupo Especial de Combate à Corrupção, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul), cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em Sidrolândia e Manaus (AM) nesta terça-feira, 18 de novembro de 2025.
A investigação identificou o desvio de R$ 5,4 milhões em recursos públicos destinados ao Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa. O valor foi repassado pelo Governo do Estado à Prefeitura de Sidrolândia para a compra de um aparelho de ressonância magnética e um autoclave hospitalar.
Porém, parte dessa verba foi desviada pela direção do hospital e pela empresa fornecedora, a Pharbox Distribuidora Farmacêutica de Medicamentos (CNPJ 20.820.379/0001-93). A empresa ainda teria pago vantagens indevidas a vereadores.
Os pagamentos eram feitos por meio de transferências Pix diretamente, ou por meio de terceiros, aos parlamentares e ao presidente do hospital, Jacob Breure.
Foram alvos da operação:
- Cristina Fiúza (MDB), vice-prefeita de Sidrolândia;
- Enelvo Felini Júnior, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente;
- Izaqueu Diniz, o Gabriel Autocar (PSD), vereador;
- Cledinaldo Cotócio (PSDB), vereador;
- Adavilton Brandão (MDB), vereador;
- Jacob Meeuwis Breure, presidente do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa;
- Elieu Vaz (PSB), ex-vereador;
- José Ademir Gabardo (Republicanos), ex-vereador;
- Júlia Carla Nascimento;
- Júlio César Alves da Silva;
- Comercial Gabardo (CNPJ 08.217.980/0001-90);
- Gabriel Auto Car (CNPJ 19.409.298/0001-16);
- Farma Medical Distribuidora de Medicamentos e Correlatos (CNPJ 40.273.753/0001-95);
- Pharbox Distribuidora Farmacêutica de Medicamentos (CNPJ 20.820.379/0001-93).
“Dirty Pix”, termo que dá nome à operação, traduz-se da língua inglesa como “Pix sujo”, e faz alusão à natureza ilícita das transferências financeiras utilizadas para viabilizar o esquema.
Em nota, a Pharbox garantiu ter entregue os dois equipamentos médicos comprados pelo hospital em setembro de 2023.
A empresa alega ainda não ser responsável “pelo que terceiros fazem ou eventualmente fizeram à época, com seus recursos advindos da comissão comercial” e que nenhum pagamento da empresa e da diretora foi feito “a quaisquer dirigentes do referido hospital, tampouco para quaisquer políticos, pessoas citadas, às quais sequer são do nosso conhecimento”.
FONTE:midiamax






