Todos os 14 técnicos administrativos do campus da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), aderiram à paralisação nacional em Ponta Porã. Entre outros pontos, os grevistas que são membros do Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Federais de Ensino de Mato Grosso do Sul (SISTA/MS), lutam por melhores salários e redução da jornada de trabalho de 40 para 30 horas/semanais.
De acordo com a comissão do movimento de greve em Ponta Porã, formada pelos servidores Carlos Alexandre Herrera, Leonardo Farias, Gláucia Rebouças Brik, Marcella Camargo, Camila Almeida, Oscar Mateu, Guilherme Roberti Olmine e Fernanda Leal, o objetivo principal é de abrir os olhos do governo com relação às distorções no setor público federal que afetam diretamente os técnicos administrativos.
Segundo os membros da comissão, com a redução da jornada de trabalho para 30 horas/semanais, o governo obrigatoriamente teria de contratar mais servidores para que todos os setores das universidades federais funcionem de forma ininterrupta durante os três turnos em todas as unidades do Brasil inteiro. Em Ponta Porã, por exemplo, determinados setores não funcionam como deveriam em virtude de não existir número suficiente de servidores.
Com a greve, os técnicos administrativos do campus de Ponta Porã trabalham no período da manhã e no período da tarde realizam as reuniões para tratar da greve no campus da fronteira. A greve acaba dificultando a solicitação de documentos por parte dos alunos, assim como também fica prejudicado o atendimento com relação ao pagamento de bolsas permanência na UFMS. “Mas os alunos entendem a nossa luta, sabem que é para melhorar a universidade e estão nos apoiando”, afirmam os membros da comissão.
A defasagem salarial, segundo eles, é muito grande. “Para se ter uma dimensão do problema, no ano de 2012 depois da greve, o governo federal concedeu um reajuste que não cobriu nem a inflação. Agora está irredutível, não faz proposta e a paralisação poderá aumentar até o final deste mês, quando poderá ocorrer a adesão dos professores”, informa a comissão, acrescentando que o salário dos técnicos administrativos da UFMS é o menor de todo o serviço público federal. “O governo precisa acabar com o descompasso de investir em estrutura física e não pagar salário digno e nem oferecer capacitação para os servidores”.
Os pontos mais importantes do movimento são pela melhoria salarial, redução da jornada de trabalho e também pela democratização dentro das universidades, no que tange a eleição dos dirigentes e conselhos. “Hoje o voto dos professores vale 70% enquanto o dos técnicos e alunos corresponde a 15% cada um. Queremos valor igualitário para todos, para que o processo seja de fato justo e democrático”, avalia a comissão.
A UFMS oferece atualmente quatro opções de cursos superiores em Ponta Porã. São os cursos de matemática, sistema de informação, ciências da computação e pedagogia. A previsão é de que nos próximos anos aumente a grade de cursos, sendo que o próximo a ser implantado é o de engenharia mecatrônica.
Fonte: reporterms