Proprietário nega desmatamento e acusa comunidade indígena de invasão em Cruce Bella Vista Norte Paraguai

Heisecke afirma que área pertence à família há quase um século e contesta denúncias feitas pelos Paî Tavyterã

O proprietário rural Juan Bautista Heisecke, dono de uma fazenda em Cruce Bella Vista Norte, Amambay, rebateu as denúncias feitas pela comunidade indígena Apyka Rendy’i, do povo Paî Tavyterã, sobre desmatamento ilegal na região. Em entrevista à Rádio Império, ele afirmou que a área em disputa pertence à sua família há 95 anos e acusou os indígenas de invadir a propriedade há cerca de três anos.

Segundo Heisecke, a ocupação teria ocorrido justamente na parte da fazenda que foi vendida a um cidadão brasileiro. Ele sustenta que, neste local, foram encontradas plantações ilegais, supostamente cultivadas pelos invasores. O produtor também relatou o roubo de madeira dentro da propriedade e disse que todos os boletins de ocorrência já foram registrados.

Ele citou ainda o nome de Asunciona Suárez, líder da comunidade, afirmando que ela seria filha de Rosalino Suárez, chefe indígena que, segundo Heisecke, enfrentaria possíveis acusações relacionadas ao tráfico de drogas. O fazendeiro também afirmou ter sofrido ameaças de morte e relatou que chegou a ser mantido sob a mira de uma arma dentro de sua própria fazenda.

Heisecke negou que exista um curso d’água natural na área questionada, alegando que apenas há antigas represas que funcionam normalmente. Ele também contestou o número de moradores indígenas, dizendo que não existem 63 famílias no local, mas no máximo entre 10 e 15.

Outro ponto levantado foi a instalação de um transformador elétrico sem autorização, cuja remoção já teria sido solicitada à ANDE. “A propriedade é nossa. Não estamos invadindo nada. O que eles fazem lá é ilegal e perigoso para mim e para meus trabalhadores”, afirmou.

Do outro lado, dias antes, a líder Asunciona Suárez denunciou o desmatamento em larga escala na área que a comunidade considera território ancestral. Ela diz ter procurado as autoridades repetidas vezes, mas que não obteve resposta.

Jatobá Notícia Internacional