Organização criminosa aplicava “golpe dos nudes” em vítimas de MS

Investigações apontam prejuízo superior a R$ 5 milhões

A DERF (Delegacia Especializada em Repressão a Roubos e Furtos), de Campo Grande, concluiu uma investigação que revelou a atuação de uma organização criminosa do Rio Grande do Sul responsável por aplicar o chamado “golpe dos nudes” em vítimas da capital sul-mato-grossense. O prejuízo apurado ultrapassa R$ 5 milhões.

De acordo com a polícia, o golpe começava com perfis falsos em redes sociais, que simulavam jovens entre 16 e 25 anos. Esses perfis adicionavam principalmente homens de meia-idade ou idosos, alguns casados, e mantinham diálogos até conquistar a confiança das vítimas. Após trocas de mensagens e envio de imagens íntimas, os criminosos passavam a chantagear os alvos.

Em uma segunda etapa, os golpistas se apresentavam como familiares da suposta adolescente ou até como autoridades policiais. Eles exigiam quantias em dinheiro sob a ameaça de denunciar as vítimas por crimes relacionados ao compartilhamento de imagens com menores de idade. Por medo e constrangimento, muitas pessoas cederam às pressões e realizaram transferências bancárias.

As investigações mostraram que contas utilizadas para receber o dinheiro estavam em nome de moradores do Rio Grande do Sul, alguns já ligados ao sistema prisional daquele estado. Parte dos envolvidos, segundo a polícia, teria ligação com a facção criminosa “Bala na Cara”, considerada uma das mais violentas da região sul do país.

Foram instaurados diversos inquéritos após registros semelhantes de extorsão. A análise de dados bancários e relatórios de órgãos de investigação ajudou a rastrear os suspeitos e identificar a estrutura do grupo. Ao todo, 15 pessoas foram indiciadas por extorsão e por integrar organização criminosa.

Durante o inquérito, a Justiça de Mato Grosso do Sul decretou a prisão preventiva de um dos investigados, apontado como responsável por coordenar os golpes e indicar contas bancárias para depósito. Ele segue foragido. Também foram bloqueadas contas e valores atribuídos ao esquema.

A DERF contou com apoio do DERCC (Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Informáticos) e da DPRCPE (Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos), ambos do Rio Grande do Sul. O relatório final foi encaminhado ao Poder Judiciário, que agora deve encaminhar o caso ao Ministério Público para análise do oferecimento da denúncia.

Fonte: O Pamtaneiro