Uma nova linhagem do vírus da zika está em circulação no Brasil, revelou uma pesquisa da Fiocruz Bahia, publicada no início de junho. O estudo detectou sequências genéticas de um tipo africano da zika, que até então não tinha circulado no País — por ser novo, os pesquisadores alertam que o vírus tem potencial para gerar uma epidemia, uma vez que a maior parte da população não tem os anticorpos específicos. Neste ano, porém, o total de infecções por zika ainda é menor do que o número de registros de dengue e chikungunya.
A novo tipo de zika foi identificado em duas regiões diferentes no Brasil: no Sul, especificamente no Rio Grande do Sul, e no Sudeste, no Rio de Janeiro. A descoberta foi feita a partir de uma ferramenta de monitoramento genético que analisa sequências disponíveis em banco de dados públicos.
Larissa Catharina Costa, uma das autoras do estudo, destacou em comunicado à imprensa a importância de continuar pesquisando sobre outras doenças em meio à pandemia de covid-19. “Atualmente, com as atenções voltadas para a covid-19, este estudo serve de alerta para não esquecermos outras doenças, em especial zika. A circulação do vírus no país, bem como a realização de estudos genéticos devem continuar sendo realizados a fim de evitar um novo surto da doença com o novo genótipo circulante”, disse.
De acordo com a Fiocruz, são conhecidas duas linhagens do vírus zika no mundo: a asiática e a africana. O estudo em questão, que analisou 248 sequências genéticas brasileiras submetidas a base de dados desde 2015, mostrou que, até 2018, os dados genéticos encontrados aqui eram majoritariamente cambojanos, um tipo asiático.
Fonte: Estadão
