‘Muito grave’, dizem deputados de MS sobre suposta compra de sentença para Nelsinho

Deputados pedem que caso seja analisado pela Justiça
Deputados da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul classificaram nesta quinta-feira (3) como ‘muito grave’ a suposta compra de sentença em favor do senador Nelson Trad Filho (PSD) e pedem apuração rigorosa da Justiça sobre a questão.

Para o deputado Pedro Kemp (PT), a situação é grave. “Precisa de uma investigação detalhada para apurar os fatos, mas é algo muito grave”. Atualmente, deputados e senadores, por exemplo, só possuem prerrogativa de foro privilegiado perante o Supremo para crimes cometidos no exercício do mandato.

“Cometeu crime comum tem que responder por ele, político ou não, essa é a minha opinião”, disse o petista. Como a documentação encontrada refere-se a pessoas com foro, cópia dos papéis foi encaminhada à presidência do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) para encaminhamento do caso ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) e ou STF (Supremo Tribunal Federal).

Para o deputado Renato Câmara (MDB), a questão é ‘complicada’. “Não sou daqui, sou do interior e não tem disso. Sobre a questão do foro, eu avalio que não é boa. O juiz do local conhece o caso, a situação política, acredito que julgaria melhor”.

Neno Razuk (PTB) diz confiar nas instituições. “É preciso avaliar com calma porque é uma denúncia muito grave. Se isso for verdade, tem que haver punição porque é inaceitável. Mas vamos esperar o julgamento da Justiça”.

Evander Vendramini (PP) limitou-se a comentar que ‘questões políticas são políticas e judiciais, pertencem ao Judiciário’. Questionado sobre se deve haver mudança no foro privilegiado, deputado afirmou que concorda com o texto aprovado pelo Senado em 2017, que estabelece a prerrogativa apenas para o presidente da República e das Casas Legislativas.

Barbosinha (DEM) afirmou que cada uma das partes deve apresentar defesa antes de ser feita qualquer análise. “Tudo o que está acontecendo ainda é inquérito e não julgamento pelo Ministério Público Estadual e pela atividade policial”.

Questionado, Lucas de Lima (SD) disse apenas que era ‘melhor não falar’ e não opinou sobre os documentos.

Na gaveta do empresário
Documentos apreendidos durante a Operação Omertà que estavam no criado-mudo dentro do quarto do empresário Jamil Name ligam o nome do senador Nelson Trad Filho (PSD) a indícios de suposta compra de sentença e foram colocados em ‘sigilo absoluto’ porque os implicados, tanto o senador, como um desembargador, têm prerrogativa de foro especial.

Conforme apurou o Jornal Midiamax, as folhas 1201 e 1202 do inquérito da Operação Omertà remetem a suposta compra de sentenças favoráveis a Nelsinho Trad em agravos a ações de improbidade administrativa com bloqueio de bens que tramitam em uma das Câmaras Cíveis do TJMS.

O documento cita o nome de um desembargador, apontado como relator nos dois casos, e contas que indicam um total de R$ 4.500.000,00 (quatro milhões e quinhentos mil reais) que supostamente deveriam ser pagos a membros da Corte pelos réus.

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