Registro foi feito na manhã desta terça-feira (3), em Rochedo, no interior de Mato Grosso do Sul
Um morador do município de Rochedo, distante 85 quilômetros de Campo Grande, registrou a migração de filhotes de bagre, às margens do Rio Aquidauana, no interior de Mato Grosso do Sul. O fenômeno é comum durante os períodos de piracema, quando diversas espécies da região estão em fase de reprodução.
O registro foi feito na manhã desta terça-feira (3), por volta das 8h, em uma cachoeira localizada no final da cidade. Nas imagens, os filhotes aparecem “lutando” contra a correnteza, enquanto migram para regiões mais calmas e com oferta de alimento no rio.
Conforme explica o biólogo Douglas Lopes, especialista em peixes, o padrão de coloração laranja e preto indica que o peixe se trata de um bagre pequeno, da família Pseudopimelodiadae. A espécie, é comumente confundida com filhotes de jaú.
Além disso, diversas espécies da região realizam migrações ascendentes para reprodução, geralmente durante o períodos chuvosos, que tornam o ambiente mais propício. Em Mato Grosso do Sul, as migrações tendem a acontecer entre novembro e fevereiro.
“As chuvas são o start ecológico para que essas migrações aconteçam. conforme os rios se expandem com a chegada da água, as espécies mudam fisiologicamente e passam a migrar, para reproduzirem. Por isso temos a piracema acontecendo nesse período. Porque devido às condições ambientais, é o momento que a maioria das espécies, principalmente as comercialmente exploradas, se reproduz”, explica o biólogo.
Migração garante sobrevivência das espécies
O especialista acrescenta que a migração reprodutiva é fundamental para as espécies que dependem dassa movimentação para se reproduzirem, pois sem migração esses animais não desenvolvem seus gametas e não reproduzem. Douglas cita, ainda, que s represamentos de rios e riachos, independente da finalidade, representam uma grande ameaça para os peixes.
Locais onde os rios são represados, acaba formando-se uma barreira, não apenas física, mas também ecológica, ocasionada pela perda de fluxo do rio, turbidez e quantidade de oxigênio dissolvido. Isso afeta diretamente o processo de migração. “Em muitos lugares, como no rio Paraná, a construção histórica de hidroelétricas fez com que várias espécies migratórias nativas, como o jaú, o dourado e o pintado se tornassem raros. Isso porque essas espécies dificilmente conseguem se reproduzir atualmente e quando o fazem, precisam adentrar os afluentes livres de barramentos, como o rio Ivinhema.”
Fonte: Midiamax






