O esquema das madeireiras para burlar a fiscalização de cargas e pagar menos impostos passava pela fraude na emissão de documentos que certificavam a origem dos produtos, segundo informou o delegado regional executivo da Polícia Federal, Alex Sandro Biegas, durante coletiva de imprensa da Operação Ghostwood.
Segundo ele, de forma geral, as empresas – algumas delas, de fachada – compravam cargas de madeira inexistente e ficavam com “crédito”, o que possibilitava, por exemplo, “legalizar” madeira ilegal – que passava a ser vendida com registro.
Com isso, as empresas investigadas conseguiam não só sonegar impostos, mas explorar mais madeira do que o legalmente permitido, já que às vistas oficiais, a carga explorada era condizente com os limites dispostos na legislação ambiental.
As investigações tiveram início após auditoria dos DOF (Documento de Origem Florestal), nos quais observaram-se as fraudes, que tinham objetivo de ludibriar a fiscalização e legalizar produtos de origem florestal adquiridos de forma ilegal.
Durante a operação deflagrada nesta manhã e que segue ao longo do dia, foram investigadas 8 pessoas físicas, 12 empresas, sendo expedidos 12 mandados de interdição e 12 de suspensão, além de 10 mandados de busca e apreensão.
A Polícia Federal não nega que possa ter havido fraude também na fiscalização do transporte das cargas de madeira. “É uma situação que pode ter ocorrido, mas que ainda não identificamos e segue sendo investigada”, revelou Biegas.
Ainda segundo a PF, mandados seguem sendo cumpridos nesta quinta-feira e, além disso, as investigações buscarão descobrir qual a origem da madeira ilegal. “Até para termos a dimensão do dano ambiental. É possível que essa madeira tenha origem da Amazônia, ou do Paraguai e da Bolívia”, acrescenta.
Não houve prisões durante as investigações. Porém, os suspeitos poderão respoden por formação de quadrilha, falsidade ideológica, crime ambiental e inserção de dados em sistema informatizado.
midiamax
