Os municípios de Mato Grosso do Sul que ficam na região de fronteira com o Paraguai e a Bolívia vivem desafios imensos para viabilizar o desenvolvimento. “Por um lado, são cheios de potencialidades para o comércio, turismo e outras atividades econômicas. Por outro, vivem a situação de insegurança e violência, ausência de investimentos necessários em infraestrutura e até da presença mínima do Estado para coibir as ações criminosas”, afirma do deputado Marcio Monteiro (PSDB).
Para coronel Villasanti, segurança depende de ação conjunta entre os países
Segundo o coronel da PM Hilton Villasanti o problema começa com a própria extensão da fronteira. “São 1.500 km de fronteira com a Bolívia e Paraguai, sendo 400 km de fronteira seca. “Precisamos atacar a fonte que alimenta o crime na fronteira, que é o tráfico. É a base de outros crimes, do tráfico de armas. O crime é internacional. Sem atuação conjunta, sem uma pactuação entre o Brasil, Paraguai e Bolivia não se pode pensar em acabar a curto prazo com esse problema. Deve existir uma disposição desses três países, contar com o envolvimento direto deles.” Para Villasanti, é preciso algumas medidas concretas: fortalecimento das instituições que já atuam na área como a PRF, PF, DOF, PM e Policia Civil. “E agora temos também o Sisfron, um sistema de monitoramento do Ministério da Defesa, que vai auxiliar com tecnologia para controlar o movimento.”
Flávio Kayatt defende Free Shops para incentivar o comércio
O ex-prefeito de Ponta Porã, Flávio Kayatt, considera que existe uma concorrência desleal entre os comércios de municípios brasileiros vizinhos e os do Paraguai por conta da carga tributária no Brasil. Para Kayatt uma das saídas é a instalação de zonas francas, como em Manaus. “Aqui seriam os free shops nas cidades brasileiras que têm cidades gêmeas com o Paraguai (como Ponta Porã e Pedro Juan), e que na prática seria estender a lei dos aeroportos para as lojas dessas cidades colocando-as em condições de competitividade com o comércio do país vizinho”. Quanto à situação das estradas na região, Kayatt diz que é importante a conclusão da rodovia Sul-Fronteira, a antiga Carreteira, que margeia a linha divisória com o Paraguai.
Para o deputado Marcio Monteiro o controle das fronteiras é de suma importância não só pela questão da segurança e combate ao narcotráfico, mas também para o controle fito-sanitário que pode trazer impactos para a economia. “As fronteiras de Mato Grosso do Sul com os países vizinhos têm uma importância econômica muito grande pelo comércio e a integração com o Paraguai e Bolívia. E aí existe a necessidade do controle fito-sanitário, de crucial importância para a agropecuária, para impedir entrada de produtos de origem animal e vegetal contaminados. Já sofremos no passado, mais de uma vez, sérias restrições às nossas exportações de carne bovina por conta da febre aftosa, com suspeita de que os focos tiveram origem no Paraguai. Esse lado da questão precisa ser observado também pois os prejuízos são grandes”.