Internautas que defendem a morte de funkeiros no Facebook podem pegar até 6 meses de prisão

 

Duas reportagens do portal da RedeTV!, divulgadas na segunda-feira (8) nas páginas do Facebook oficiais do Uol Notícias e Uol Entretenimento, trouxeram à tona comentários defendendo a morte de funkeiros. Ambas denunciam oextermínio dos jovens de São Paulo que gostam de funk. Pela rede social, a sugestão é de que pessoas sejam mortas por se identificarem com o estilo musical, que é proveniente da periferia e tem maior ligação com a população de baixa renda. A justificativa é de que todos os funkeiros fazem mal à sociedade.

A advogada Milena Grado, especialista em Direito Digital, alerta que, caso o MP (Ministério Público) entre com uma ação contra as pessoas que incitam a morte ou qualquer tipo de violência contra uma pessoa em público, elas podem ser condenadas a até 6 meses de prisão em regime fechado. “São crimes que protegem a paz pública, ou seja, ninguém precisa acionar a Justiça”, afirmou.

No sábado (6), MC Lon, um dos principais nomes do funk ostentação, deixou de fazer um show na Baixada Santista após sofrer uma tentativa de assalto. Em um vídeo, ele afirma que vários de seus amigos foram executados e ele seria a próxima vítima. Clique para conferir a reportagemEm dois anos, cinco MC’s foram assassinados no litoral de São Paulo. Até hoje, nenhum crime foi esclarecido.

Na madrugada entre domingo (7) e segunda-feira (8), dois jovens foram executados na zona leste de São Paulo após saírem de bailes funk. Com eles, a média de mortes de funkeiros no Estado é de um por mês, desde abril deste ano. Ou seja, em oito meses, oito adolescentes foram executados. Apenas um dos crimes foi esclarecido pela polícia. E isso porque o suspeito se entregou. Clique para ler a reportagem.

Milena Grado diz que no caso do MC Lon está configurada uma incitação ao crime, que prevê pena de 3 a 6 meses de detenção ou multa. Se o crime já aconteceu e as pessoas continuam incentivando para que aconteça novamente, fica configurada apologia ao crime. “Ambas as infrações têm a mesma penalidade. Todas essas pessoas assumiram o risco de serem presas”, disse. 

De acordo com Bruno Paes Manso, pesquisador do NEV-USP (Núcleo de Estudos da Violência da USP), o que atualmente está sendo replicado através das mídias sociais sempre existiu. “As pessoas sempre pensaram isso de alguma forma, mas isso não era tão divulgado, não tinha tanta repercussão quanto hoje. Atualmente, é compartilhado, comentado, discutido, debatido. Por mais que sejam pensamentos raso, é um tipo de crença que já vem há mais de 30 anos”, afirmou. “Violência como solução pra qualquer coisa. Até hoje, a gente não conseguiu lidar com isso. A violência continua acontecendo como uma solução para tudo. O desafio é descobrir como mudar”, complementa o pesquisador.

Confira, abaixo, os comentários postados no Facebook sobre as duas reportagens:

– Comentários sobre a reportagem “Em média, um funkeiro é morto por mês em SP desde abril”:



– Comentários sobre a reportagem “MC Lon cancela show no litoral: ‘querem me matar’”:

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