Famílias carentes recorrem às universidades para tratar animais doentes na Capital

Sem dinheiro para pagar um médico veterinário, as três universidades de Campo Grande acabam sendo as opções mais em conta, para a população carente que tenha algum animal doente. Em Campo Grande e no Estado não existem locais públicos que atendam animais.

Na manhã deste domingo (20), um cachorro doente, foi encontrado amarrado em buraco no Bairro Triguinã na cidade de Ivinhema (297 Km de Campo Grande).

A dona do cachorro disse que há várias semanas vem tratando de um tumor no reto do animal, e resolveu sacrificá-lo. Ela também afirmou que não tinha condições psicológicas para dar um fim no sofrimento do animal, e por isso pediu ajuda a um rapaz. Ambos responderão por maus tratos de animais.

‘Negão’, como se chamava, ainda foi levado a um veterinário, porém não resistiu e morreu nesta segunda-feira (21).

Outra situação de maus tratos que teve grande repercussão foi do cão Scooby, arrastado por mais de 4 km, da casa do dono, um homem de 58 anos, que o amarrou em uma corrente numa moto em julho de 2012. O autor levou o animal diagnosticado com leishmaniose dessa forma, do bairro Aero Rancho ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), num total de 4 km.

Na época o então prefeito Nelsinho Trad, prometeu a construção de uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Veterinário no CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) que deveria atender toda população canina e felina da Capital, mas que não foi feita.

“A única UPA que existe no Brasil fica em São Paulo. É um total descaso do poder público. Nosso objetivo são os animais que não têm dono. Infelizmente a verba que conseguimos por doações (sem participação do poder público), não consegue atender a essa demanda”, diz Maira Kaviski Peixoto presidente do Abrigo dos Bichos, que junto com outras Ongs, como Vira-Lata, Fiel Amigo e Cão Feliz, fazem esse trabalho.

Em março desse ano, o vereador Chiquinho Teles (PSD), apresentou um requerimento, ao prefeito Alcides Bernal solicitando a criação de unidade pronto atendimento veterinário, o UPA-VET. O requerimento foi negado, e a prefeitura argumentou que não há recursos e nem diretiva para tal requerimento.

“A ciência já comprovou que os animais domésticos trazem benefícios e bem estar para as pessoas, de forma que algumas têm neles apenas o único e fiel companheiro, e em especial a população mais carente que sofre intensamente quando tem que buscar ajuda médica em caso de uma doença, ou de atropelamento, por exemplo”, disse o vereador.