Uma empresa de cursos profissionalizantes, localizada na Rua Dom Aquino, em Campo Grande, foi autuada pelo crime de induzir o consumidor ao erro, na tarde dessa quarta-feira (15). A empresa utilizava o nome da Energisa para fazer anúncios de falsas vagas de jovem aprendiz, que na verdade era para venda de cursos, no valor de R$ 300 cada, já que a empresa não tinha ligação com a concessionária.
A autuação foi feita após policiais da Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo) se passarem por um jovem aprendiz com a intenção de concorrer a uma “vaga”. No local foram encontradas duas funcionárias, encaminhadas para a delegacia, que confessaram a prática do crime. Duas mães e dois jovens que também haviam marcado horário na empresa, foram levados para serem ouvidos como testemunhas.
A venda dos cursos ocorria após a empresa fazer anúncios nas redes sociais, utilizando o nome da Energisa, com falsas vagas para jovem aprendiz. O interessado é chamado para fazer entrevista, mas ao chegar no local recebe a comunicação de que não foi aprovado por não ter o perfil da concessionária.
Entretanto, a empresa oferece cursos profissionalizantes para qualificação, alegando que com a compra deles os jovens teriam mais chances de serem chamados para a “vaga”. Como as vítimas não eram convocadas, algumas delas chegaram a ir até a sede da própria Energisa.
Segundo o delegado Reginaldo Salomão, da Decon, a direção da concessionária procurou a delegacia para registrar a denúncia. “Uma das funcionárias da empresa autuada confessou que usa esse subterfúgio e a outra disse que realmente não presta todas as informações”, afirma.
Ainda conforme o delegado, o proprietário da empresa de cursos informou ter a adquirido em setembro do ano passado e que “o antigo proprietário já havia estruturado assim”. Salomão explica que os responsáveis não foram presos em flagrante devido a não terem vítimas no local no momento da abordagem policial. Os dois jovens não chegaram a ser chamados para atendimento.

Por isso, a Polícia Civil solicita que os responsáveis pelos adolescentes que tentaram a falsa oportunidade de emprego e pagaram pelos cursos, procurem a delegacia para registrar boletim de ocorrência.
Ainda segundo Salomão, a empresa possuía alvará de funcionamento e estava de acordo com a legislação para venda dos demais cursos. “O problema é como o consumidor está sendo levado até a empresa”, explica. As vítimas eram, na maioria das vezes, pais de jovens com renda de um salário mínimo, e que viam no pagamento do curso uma oportunidade para o primeiro emprego dos filhos.
As investigações apontam que a empresa estava há pelo menos 60 dias atuando no falso anúncio das vagas. Os cursos oferecidos eram de informática, digitação, introdução à TI (Tecnologia da Informação), criação de planilhas, robótica, jogos, marketing digital e gestão de mídias. “Espero que quem não registrou boletim de ocorrência nos procure. Às vezes a pessoa investe tudo o que tem, porque vai ser o primeiro salário do jovem”, pede o delegado.
A Decon está situada no segundo andar do Procon-MS, localizado na Rua 13 de Junho, quase esquina com a Rua Maracaju. Apesar do Procon-MS não estar aberto para atendimento ao público, após o homicídio ocorrido no interior da instituição na última segunda-feira (13), a Decon é o único setor que segue com funcionamento normal.
A reportagem entrou em contato com a Energisa e aguarda esclarecimentos sobre a denúncia.
Por – Midiamax
