Corumbá : Feminicídio no Pantanal: Jovem mãe é assassinada diante dos filhos

Por volta das 20h da noite deste sábado (2), o silêncio da Fazenda “Vai Quem Quer”, na região do Passo do Lontra, no município de Corumbá, foi rompido por um disparo seco e fatal. Uma jovem de apenas 22 anos, Salvadora, foi assassinada dentro de casa, com um tiro no peito, supostamente por quem dizia amá-la.

O crime aconteceu em um cenário de aparente tranquilidade, rompido por mais um caso brutal de feminicídio. Quando a guarnição do 6º Batalhão da Polícia Militar, comandada pelo sargento Ramirez, chegou ao local, a cena era desoladora: Salvadora jazia imóvel sobre a cama, sem sinais vitais. A perfuração causada por um revólver calibre .22 abaixo da clavícula esquerda deixou não apenas uma marca fatal em seu corpo, mas também uma ferida aberta na alma de toda uma comunidade.

O que torna o caso ainda mais devastador é o fato de que cinco crianças, entre 2 e 8 anos — supostamente filhos da vítima — estavam escondidas no banheiro da casa no momento do crime. Testemunhas inocentes de um ato de crueldade que deixará cicatrizes profundas e permanentes em suas lembranças.

O suposto autor do crime, identificado apenas pelas iniciais J. C. S., de 32 anos, foi detido ainda no local. Segundo os policiais, ele assumiu o crime no momento da prisão, dizendo apenas:

“Eu fiz, senhor! Eu fiz uma cagada.”

Apesar da rapidez no atendimento, com apoio do 3º Grupamento de Bombeiros e da perícia técnica, nada mais pôde ser feito para salvar Salvadora. O corpo foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Corumbá. A polícia confirmou que o autor já possuía um mandado de prisão em aberto.

As crianças foram encaminhadas a casa de parentes no município de Ladário. Silenciosas, com lágrimas que diziam tudo, carregavam nos olhos o reflexo da tragédia que presenciaram. Agora, sem mãe, enfrentarão um futuro com perguntas sem resposta.

Quem vai explicar, na próxima festa escolar, por que todas as mães estarão lá, menos a delas? Quem vai amparar seus choros, medos, doenças e sonhos? Quem vai preencher o espaço da ausência brutal que se instalou naquela noite?

O delegado Dr. Guilherme de Oliveira, que acompanhou o caso junto à equipe da perícia, afirmou que as investigações seguem em andamento, mas o crime já se configura como feminicídio — homicídio motivado por violência de gênero, com base na relação afetiva entre vítima e autor.

Até quando?”

A pergunta que ecoa após mais um caso como este não é nova. Mas continua sem resposta: Até quando?

Quantas Salvadoras ainda precisarão morrer para que o feminicídio seja tratado com a urgência de uma crise nacional? Quantos filhos mais precisarão crescer sem mães porque o amor foi confundido com domínio, com ódio, com armas?

Salvadora agora é mais um número nas estatísticas. Mas ela era vida. Era esperança. Era mãe.

E foi assassinada.

Fonte: DP News