Familiares de pacientes que recebem atendimento médico na Santa Casa de Campo Grande após acidentes de trânsito reclamam que estariam recebendo no hospital orientação para recorrer a uma seguradora particular na hora de requerer o DPVAT, seguro para vítimas do trânsito de acesso gratuito. A prática tem prejudicado outras empresas, que acusam a ABCG de favorecer uma concorrente.
Um panfleto entregue no momento em que é feito o pedido de retirada de prontuário médico no Same (Serviço de Arquivo Médico e Estatística) reúne as orientações básicas para ter o benefício e dados de contato para a empresa Centauro Vida e Previdência, que não tem filial em Campo Grande e funciona em Curitiba (PR). A reportagem esteve na Santa Casa e constatou a entrega do documento.
Segundo a proprietária de uma empresa que presta assessoria para encaminhamentos do Dpvat a iniciativa é desleal. “Existem várias seguradoras do país e em Campo Grande. Não seria correto favorecer apenas uma empresa”, afirma. O papel possui inclusive a marca do Sincor-MS, indicado como local de atendimento para o paciente que deseja dar entrada ao seguro. Porém, no tópico ‘Saiba mais’ é indicado o site da Centauro como local para tirar dúvidas.
O DPVAT é um seguro pago junto com o IPVA para indenizar vítimas de acidentes de trânsito, sejam elas motoristas, passageiros ou pedestres, inclusive estrangeiros, mas que não cobre danos materiais. A entrada do pedido é 100% grátis e não deve ser entregue por terceiros, sendo que o acompanhamento também deve ser feito pelo acidentado que tem direito à indenização.
A assessoria de imprensa da Santa Casa confirmou a entrega dos panfletos, no entanto a justificativa é de que o setor não possui recursos para emitir materiais próprios da unidade para informar sobre a gratuidade do Dpvat e, por isto, procurou materiais do tipo junto ao Sincor-MS. A Santa Casa garante que não existe indicação de nenhuma empresa para fazer o serviço, havendo inclusive uma política de informar aos pacientes que não é necessária seguradora para intermediar o serviço. “Estes atravessadores costumam cobrar de 30% a 40% do valor do seguro”, alegam.
O Sincor-MS afirmou apenas que monta os processos para mandar diretamente à seguradora Líder DPVAT, a única empresa autorizada nacionalmente para acompanhar os pedidos de indenização. Segundo eles, a decisão de utilização a marca do sindicato por alguma empresa deve passar pela diretoria da entidade.
| Minamar Junior |
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