Cigarro eletrônico pode conter até dez vezes mais agentes cancerígenos que cigarro comum

Cigarros eletrônicos podem conter até dez vezes a quantidade de agentes cancerígenos de um cigarro comum, mostrou um estudo japonês divulgado nesta quinta-feira.

O dispositivo eletrônico, de popularidade crescente especialmente entre os jovens, funciona aquecendo um líquido que frequentemente contém nicotina, transformando-o em vapor que é aspirado, da mesma forma que os cigarros tradicionais, mas sem a fumaça.

Os pesquisadores encontraram diversas substâncias que podem provocar câncer nos vapores absorvidos por quem utiliza esse produto: formaldeído, um composto também conhecido como formol, acetaldeído, acroleína, glioxal e metilglioxal, entre outros. “As taxas variam consideravelmente de uma marca para outra e inclusive dentro da mesma marca, de uma amostra para outra”, destacaram os cientistas, que mediram as concentrações das diferentes substâncias em cinco marcas (não citadas) de cigarros eletrônicos.

“Em uma das marcas analisadas, a equipe de pesquisa encontrou um nível de formaldeído que chegou a dez vezes mais que o registrado em um cigarro tradicional“, explicou o cientista Naoki Kunugita, do Instituto Nacional de Saúde Pública japonês, que coordenou o estudo. Ele afirmou ainda que quanto mais quente fica o fio que aquece o líquido, maiores são as quantidades produzidas dessas substâncias.

O estudo foi entregue ao Ministério da Saúde do Japão, que questiona, assim como seus equivalentes em outros países, até que ponto é necessário regulamentar o uso dos cigarros eletrônicos sem nicotina que utilizam líquidos perfumados. Os consumidores de cigarros eletrônicos no Japão são menos visíveis que os fumantes tradicionais e as lojas especializadas consideravelmente menos numerosas, mas a transição do tabaco para o vapor é um fenômeno crescente que provoca a preocupação das autoridades.

Alertas — Em agosto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou os governos para banir a venda de cigarros eletrônicos para menores de 18 anos, afirmando que eles são uma “grave ameaça” especialmente para gestantes e seus filhos e jovens. As autoridades de saúde americanas divulgaram este ano que o número de jovens que experimentaram os cigarros eletrônicos triplicou de 2011 para 2013.

O Dicionário Oxford escolheu “vape”, termo que significa “tragar cigarro eletrônico”, como palavra do ano para 2014. O uso desse termo mais que dobrou em relação ao ano passado.

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