Aplicar punições para corrigir o comportamento infantil é um método que divide opiniões. Veja como empregá-lo de forma adequada.
As crianças são inquietas e exploradoras por natureza. Têm a necessidade de conhecer tudo de imediato, de entrar em contato com o que se passa à sua volta e fazer o que passar por sua cabeça. Nesse processo, é muito provável que cometam erros e façam coisas que seus pais não aprovam.
Por isso, é importante acompanhar seu filho de perto para estabelecer limites e fazê-lo perceber, de forma clara, quando não está se comportando bem. Essa tarefa difícil, mas necessária, costuma envolver uma das técnicas mais usadas por pais de todas as gerações: o castigo.
Impedir a criança de fazer alguma coisa ou de ter um objeto que deseja são exemplos de punições corretivas, mas a prática ainda é controversa. Enquanto alguns especialistas desaprovam os castigos, a Academia Americana de Pediatria os recomenda como estratégia de disciplina eficaz.
Seus detratores alegam que os castigos fazem com que as crianças se vejam como pessoas ruins e se sintam desamparadas quando erram. Longe de reforçar o vínculo com os pais, as punições poderiam gerar atritos no futuro. Muitas crianças se portam mal para chamar a atenção e, nesse caso, melhor resposta seria não reagir.
Já a psicoterapeuta Amy Morin acredita na eficácia do castigo: “As punições fazem com que as crianças lidem com as emoções positivamente. Se bem aplicadas, servem para que reconheçam um erro antes de cometê-lo”.
Segundo Morin, é fundamental aplicar o castigo de forma adequada para que tenha um efeito real sobre o comportamento da criança.
Em primeiro lugar, não faça ameaças que sabe que não irá cumprir. “As crianças percebem quando os pais não falam sério e acabam perdendo o respeito quando não cumprem com a palavra”, explica o psicólogo e escritor Erik Fisher. Segundo o especialista, a ameaça não deve ser usada para gerar medo, mas para inspirar respeito à autoridade dos pais. Por isso, quando alertar a criança sobre as consequências de seu mau comportamento, os pais devem fazê-lo com voz firme e cumprir o que disse, não importa onde estejam.
Também não é recomendável gritar. As crianças precisam de tempo para refletir sobre o que fizeram, e pressioná-las nesse momento pode gerar o efeito contrário. O melhor é conversar com a criança para ajudá-la a entender porque sua conduta é inadequada e o que ela pode fazer para reverter o que fez. O momento ideal para isso é depois do castigo, quando a irritação inicial já diminuiu.
Outros dois fatores importantes são o tempo e o espaço. Quanto ao primeiro ponto, é válido se perguntar quando tempo deve durar um castigo. Uma técnica possível é a de “minuto por ano”. Por exemplo, se a criança tem dois anos, pode ficar dois minutos de castigo; se tem três, três minutos, e assim por diante. Quando ao espaço, é melhor escolher lugares neutros, evitando cômodos que possam ser fonte de diversão, como salas de jogos e televisão.
Por último, sempre é bom equilibrar castigos com recompensas. Procure demonstrar afeto com frequência e criar momentos positivos com seus filhos para manter um relacionamento equilibrado.
Como você lida com o mau comportamento de seus filhos? Você acredita que os castigos são uma boa forma de educar?
UOL