Gabinete de Camila Nascimento foi alvo da polícia federal na manhã desta terça-feira
Ocumprimento de mandados de busca e apreensão pela Polícia Federal em operação que mira irregularidades em investimentos feitos pelo Instituto Municipal de Campo Grande (IMPCG) no Banco Master, pode gerar desdobramentos na investigação que ocorre no contexto em que o banco de Daniel Vorcaro está envolvido, maior fraude bancária da história do Brasil.
O Correio do Estado apurou que os agentes federais estiveram na residência da vice-prefeita, Camila Nascimento, e também no gabinete dela, ao lado do gabinete da prefeita, Adriane Lopes (PP). Os policiais levaram telefones celulares e documentos com o objetivo de subsidiar a investigação.
Camila Nascimento foi diretora-presidente do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande de agosto de 2017 até março de 2024, após isso, deixou o cargo para concorrer eleição à Câmara de Campo Grande. À frente do instituto, chegou a anunciar a aplicação de R$ 3,7 milhões no Master, mas somente parte disso foi efetivamente aplicado.
Na ocasião, sindicalistas foram contrários ao investimento da prefeitura sob argumeto de que as aplicações financeiras eram arriscadas uma vez que o banco (Master) era novo e não haviam garantias de que a instituição seria capaz de devolver à prefeitura o valor investido.
Após as aplicações, a prefeitura de Campo Grande habilitou o banco de Daniel Vorcaro a conceder empréstimos consignados aos servidores por meio de cartão de crédito. A taxa mensal de juros foi da ordem de 4,5%, enquanto que em bancos tradicionais, a taxa máxima dos consignados é de 1,7%.
Depois do investimento, servidores públicos do município passaram a ser “bombardeados” com ofertas de empréstimos consignados e cartões de crédito do chamado CredCesta, oferecido pelo Master.
Em outras palavras, o Banco Master primeiro teria feito caixa com o dinheiro dos servidores e logo em seguida ofertou o dinheiro.
Em fevereiro último, o atual presidente, Marcos Tabosa, destacou que após o escândalo em torno do banco, o objetivo do executivo municipal era recuperar parte do valor investido.
“O que vamos pedir para a Justiça Federal? Nós repassamos para o Banco 500 mil por mês, nós queremos reter dois, três meses, que é o valor do Banco nos deve. Investimos R$1,2 milhão, hoje está em R$1,429 mi, e vamos tomar todas as medidas judiciais cabíveis para proteger o dinheiro da população”, disse na ocasião.
O colapso do banco provocou perdas aos fundos de pensão dos servidores municipais em pelo menos cinco prefeituras em Mato Grosso do Sul. Campo Grande, São Gabriel do Oeste, Fátima do Sul, Angélica e Jateí também fizeram aplicações milionárias e agora devem entrar em uma fila para conseguir recuperar estes valores.
Nesse contexto, os mais prejudicados são os servidores da prefeitura de Fátima do Sul. O Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais de Fátima do Sul (Iprefsul) tinha R$ 8,093 milhões aplicados no Master no final de setembro.
Operação
A Polícia Federal amanheceu na porta do gabinete da vice-prefeita da Capital nesta terça-feira (25). Conforme apurado pela reportagem, os policiais chegaram nas primeiras horas da manhã e entraram no prédio. Viaturas no estacionamento da secretaria chamaram atenção de quem passava pelo local.
Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão, além de medidas de afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados. Computadores do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) foram apreendidos pelos agentes. A polícia apura os crimes de gestão temerária, corrupção passiva e corrupção ativa.
Fonte: Correio do Estado






