Outro policial envolvido foi preso em MS após repercussão do caso
Os dois policiais militares investigados pela abordagem que terminou com a morte de Rafael da Silva Costa, no bairro Tarsila do Amaral, em Campo Grande, foram presos nesta semana, prestes a completar um mês do caso.
Rafael morreu no último dia 21 de novembro, quando estava sob efeito de drogas e em surto em supermercado. A suspeita é de que ele teve uma crise convulsiva. Câmeras de segurança registraram a abordagem e o momento em que Rafael foi derrubado violentamente na calçada.
Conforme informações obtidas pelo Jornal Midiamax, um dos policiais acusados estava de férias em Recife (PE) com a esposa, quando foi preso pelo Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial) do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) após um mandado de prisão expedido pelo Poder Judiciário. A previsão é de que ele chegue na Capital sul-mato-grossense na próxima semana.
Já o outro militar envolvido na abordagem foi preso em Mato Grosso do Sul pela mesma acusação. Entre a noite de sexta-feira (19) e a manhã deste sábado (20), ele deu entrada no Presídio Militar de Campo Grande para cumprimento da pena.
No dia 1º deste mês, o Jornal Midiamax noticiou que os policiais foram realocados pela PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) para outras funções, enquanto a unidade conduz a apuração.
Além da abordagem ocorrida no Tarsila do Amaral, o policial preso em Recife (PE) responde pela morte de Antônio Boneti do Nascimento, de 48 anos, ocorrida em 2 de fevereiro do ano passado. Na época, a morte ocorreu durante uma abordagem policial realizada após descumprimento de uma medida protetiva.
Na ocasião, os policiais que abordaram o suspeito usaram um bastão, com a justificativa de que precisaram contê-lo. Antônio foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado para a Santa Casa. Ele deu entrada no hospital por volta das 14h35. A morte foi confirmada às 22h55.
Abordagem truculenta
Uma semana após o ocorrido, a reportagem obteve acesso às imagens de câmeras de segurança do estabelecimento onde ocorreu a abordagem. As imagens mostram Rafael sendo derrubado violentamente na calçada e, aparentemente, sendo agredido com cassetete.
Também foi possível visualizar o momento em que os policiais usaram spray de pimenta e disparos de arma de choque para tentar conter o homem.
No último dia 10, advogado Walisson dos Reis Pereira da Silva, que representa a família de Rafael, disse ao Jornal Midiamax que houve uma ação truculenta.
“As imagens desmentem tudo o que a Polícia Militar alega. Na verdade, o Rafael ficou calmo quando a polícia chegou. Ele foi abordado, estava pedindo ajuda e o policial algemou ele. O jogaram no chão, deram socos e pontapés na cabeça dele, além de choque e spray de pimenta. Entendemos que o Rafael passou por uma sessão de tortura praticada por policiais militares, que cometeram o crime de homicídio, de tortura, de homicídio com dolo eventual”, defende.
“Não tinha a intenção de matar, mas assumiram o risco de produzir esse resultado. Eles jogaram Rafael desmaiado, sem respirar, dentro da viatura, como se fosse um porco. O sargento, que já fez isso em outra ocasião, com outra vítima, falou com ele, disse: “Acorda vagabundo, eu já te conheço”. Ou seja, esse policial também já o agrediu antes, e isso tem que ser investigado”, frisa.
O que diz o boletim de ocorrência?
Segundo o boletim de ocorrência, Rafael estava sob efeito de drogas, paranoico e em surto em um supermercado. A PM (Polícia Militar) foi acionada para o local e deu voz de prisão ao homem, por desacato. Na tentativa de imobilizar a vítima, os militares utilizaram spray de pimenta e três disparos de arma de choque, além de derrubá-la no chão, momento em que ela teve convulsões.
Segundo o relato policial, os agentes utilizaram arma eletroeletrônica de incapacitação neuromuscular, modelo Taser X2 nº 2800KW56. Eles teriam disparado três vezes contra a vítima, sendo duas na região do peito.
Fonte: Midiamax






