Thalyta Andrade
O lugar que mais vendeu cerveja da marca Budweiser em Mato Grosso do Sul no ano passado – segundo o proprietário -, e que em pouco mais de um ano conquistou os douradenses, se tornando ‘point’ disputado nas noites da cidade, principalmente pelas atrações nacionais que com frequência pintam por lá.
O Dourados News foi conhecer o Jangoo Pub, uma das opções favoritas dos baladeiros da região, e também de muitos outros municípios do Estado. O responsável pela casa é o empresário Rafhael Pardal, 30, que largou o mundo da contabilidade – ele cursou Ciências Contábeis na UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) – para hoje ter uma das casas mais famosas de Dourados.
“Comecei com o Maeva Boate, que funcionou entre 2010 e 2012. Foi uma proposta nova em Dourados que foi muito bem aceita, um espaço aberto, tinha muitas árvores, uma mata do lado, uma iluminação diferente, e a galera se apegou muito ao ambiente, tínhamos recorde de público todas as noites. Fechamos porque éramos uma sociedade, estava legal, mas em alguns critérios a gente não concordava e resolvemos fechar”.
Em junho de 2012 o Jangoo Pub abriu as portas pela primeira vez. O nome nada tem a ver com balada, como muitos dos frequentadores pensam. “Um amigo meu sugeriu, e eu simpatizei. Fui atrás do significado, e descobri que em hebraico significa ‘Joãozinho’ (risos). Não tem nada a ver, mas resolvi ficar com esse nome não pelo significado, mas mais pela pronúncia, pelo visual. Fizemos a logomarca e assim pegou, a galera se identifica”.
O Jangoo Pub não é uma casa temática. Vai do rock, pop rock, e samba rock nacional e internacional que dominam a semana, até o pagode e o sertanejo que tem espaço apenas no domingo. A entrada é o valor do couvert artístico, que vai de R$ 5 a R$ 10 em dias ‘normais’. Quando há show, convites são vendidos de forma antecipada a valores diferenciados. A casa também faz eventos fechados.
O ambiente é decorado com muitas referências dos estilos predominantes, como o rock e o pop rock, que estão presentes em uma das paredes da casa – cheia de fotografias – nas figuras de Elvis Presley, Madonna, Jimi Hendrix, entre outros, posicionados ao lado também de estrelas do cinema, como James Dean e Marilyn Monroe.
Nos demais detalhes da decoração, uma mistura de gêneros e estilos, que contrastam com a temática da cerveja que é parceira da casa, cujo lema estampa uma das paredes com a frase “Great times are coming”, que em uma tradução livre, significa “bons momentos estão por vir”, combinando perfeitamente com o que querem os baladeiros.
“Essa decoração é recente, faz parte da nossa parceria. Peguei umas referências de projetos dos Estados Unidos e eu mesmo bolei tudo. As frases da parede, os painéis, a iluminação, tudo foi ideia nossa, não tive ajuda de nenhum especialista. Busquei referências em São Paulo, algumas dicas, os quadros, e agora estamos com um mural de assinaturas dos artistas que passam por aqui no camarim, são detalhes que acho bem legais dentro do que a gente propõe”.
Diversidade de baladeiros
Para Rafhael, o público da casa é diversificado, muito por não ter uma temática estabelecida. Quinta, sexta, e sábado é dia de rock, pop rock, samba rock, até mesmo reggae, dependendo da atração. No domingo, as apresentações são de pagode e sertanejo, este último com “40 minutos contadinhos no relógio”, como destacou o empresário.
“Se a gente for analisar, todos os dias dá uma diferença de público. Eu acredito que eu entrei em vários espaços. Na quinta e sexta, vem a galera mais jovem, que quer beber,curtir, azarar. No sábado vem a galera mais velha, mais casais. Já no domingo é uma galera totalmente diferente também, porque é dia de pagode e sertanejo. Eu acredito que cada dia tem seu estilo de público. Não que isso restrinja, mas foi uma coisa que foi se criando”.
Público mais ‘maduro’ encontrou no bar uma opção que não tinha
Na opinião do empresário, a galera dos 25 aos 40 anos ‘se encontrou’ no Jangoo, porque faltava uma opção que agradasse a eles também.
“Meu público no início foi mais de jovens, mas vimos que a galera lá dos 22 anos em diante começou a curtir. Você vê que o pessoal que vem aqui não é muito molecada. Até tem, mas os mais maduros é que são fãs do Jangoo. Isso é porque chegamos naquela galera que queria sair, mas não tinha onde ir”. Rafhael acredita que não faltam opções na noite de Dourados, apenas que existem poucas que abrem regularmente, o que deixa os baladeiros ‘carentes’.
Na opinião dele, manter um negócio do tipo na cidade não é nada fácil.
“Falar que falta é complicado, até porque a galera fala que falta opção, mas aí você monta uma opção boa e ficam esperando cortesia. Eu já trabalhei com boate, no Maeva eu colocava muita cortesia, mas quando eu fazia uma festa que queria cobrar eu cobrava e conseguia colocar o público pagante, mas é duro, não é fácil. A galera aqui em Dourados tem esse costume de cortesia, e isso quebra às vezes”.
“Jangoletes”
A fama do Jangoo Pub e a fidelidade do público se tornou uma realidade de sucesso com a qual Rafhael até brinca, e incentiva os demais empresários que queiram se aventurar na noite da cidade, apesar de ressaltar que é difícil se manter pelo perfil dos baladeiros.
“Eu tenho já meu público que gosta de frequentar, que vem sempre aqui. Tem gente que eu nem cobro entrada porque sempre estão aqui, consumindo. O pessoal até brinca que vamos ter que fazer a carteirinha das ‘jangoletes’. Mas, eu acredito que se você montar um bar legal e ficar ali em cima trabalhando, vendo acertos e erros, você vai conseguir montar um público fiel a você. Apesar de que público fiel em Dourados é difícil. Em grandes centros as casas tem um público fiel, mas em Dourados o pessoal é ‘Maria vai com as outras’ mesmo”.
“Muita gente não botava fé, diziam que eu estava doido”
O Jangoo Pub tem capacidade para um público de 400 pessoas, em um ambiente fechado que suporta apenas esta demanda. Gente de todo o Estado procura conhecer frequentar a casa, e filas são comuns, principalmente nos dias de show.
“A galera aceitou bem, é uma marca forte em Dourados assim como foi o Maeva. Vem gente de todo o Estado para conhecer. Quem mexe com a noite não botava muita fé, falava que o Rafael não ia dar certo com essa ideia de bar fechado, que ninguém aqui em Dourados gostava disso. E eu fui acreditando. É claro que todo começo é difícil, eu já tinha mexido com noite e balada, sei disso, mas foi tudo caminhando devagarinho e teve uma hora que explodiu, a galera aderiu bem”, diz Rafael.
O bar que mais vende cerveja no Estado
O carro chefe da carta de opções de quem quer curtir “a cerveja mais gelada da cidade”, é a Budweiser. No ano passado, segundo Rafhael, a casa foi o local que mais vendeu a cerveja em Mato Grosso do Sul, batendo, inclusive, o ‘Bar da Bud’, estabelecimento temático da marca que está presente em Campo Grande.
“O Jangoo abriu com a Budweiser, viemos forte com ela em Dourados, foi a cerveja que apostamos. Fui o maior comprador e vendedor da cerveja no ano passado, eles buscaram lá no sistema deles, e viram que o Jangoo foi o maior consumidor da cerveja em Mato Grosso do Sul. Até me surpreendi. Por isso eles patrocinaram essa decoração do ambiente, fizemos uma parceria. Mas, não vendemos só Bud, vendemos todas as cervejas da Ambev (Companhia de Bebidas das Américas)”.
Atrações nacionais ‘bombam’ e são marca registrada
Jangoo Pub é sinônimo de shows de bandas e cantores famosos em Dourados? Rafhael prefere ser modesto, mas acaba admitindo que sim. Tihuana, Reação em Cadeia, Seu Cuca, Maskavo, Edu Ribeiro, e Cachorro Grande, que se apresenta nesta sexta-feira (14) são apenas alguns dos nomes que já passaram pelo palco ‘aconchegante’.
“Eu trago show de bandas que fazem show para público de milhares, e meu espaço é para 400 pessoas. Atualmente essas bandas de pop rock e rock nacional que já fizeram muito sucesso e não conseguiram se manter, que já tocaram em palcos de festivais famosos como Planeta Atlântida e Rock In Rio, diminuíram o valor do cachê. Antes era R$ 50 mil e hoje é R$ 5 mil com as passagens aéreas inclusas, só para citar um exemplo. E eu sou procurado por muitas dessas bandas, muito por causa do boca a boca dos artistas que já vieram aqui e elogiam”.
E a fama de “trazer bandas famosas, mas com poucos sucessos”? Para Rafhael, quem fala isso está equivocado, e a proposta dele tem dado muito certo, prova disso são as filas que se formam em dia de shows.
Banda Tihuana foi uma das recentes atrações nacionais que passaram pelo palco do Jangoo Pub (Foto: Ademir Almeida)“Essas atrações que trazemos vai muito por eu conhecer e gostar, e saber que tem um público que gosta muito. Por exemplo, o show do Cachorro Grande, tem gente que fala que eu vou levar ‘bomba’ trazendo a banda. Mas, eu digo que vai dar certo. Quando eu sugeri a atração no facebook, teve uma galera que compartilhou, comentou, curtiu, então é sempre um termômetro de receptividade. Não tem nada disso de ser o cara que traz bandas ou cantores de um sucesso só, quem fala isso é porque não conhece apenas. Eu trago bandas para 300 e 400 fãs, que eu acredito que essas bandas tem no mínimo em Dourados e na região. Estou negociando para trazer Raimundos, fechei com bandas de Campo Grande também, como o Bando do Velho Jack, que tem uma galera fanzaça, tem também as Velhas Virgens, o Cueio Limão, que é uma banda de Dourados, bem famosa em outros Estados e que agora está voltando para cá. E muitas bandas tem me procurado também por causa do sucesso do lugar, um exemplo é a banda Scracho, do Rio de Janeiro, que foi a mais recente”.
Apesar da atenção às bandas e cantores nacionalmente conhecidos, o empresário diz que também procura prestigiar as “pratas da casa”, promovendo a apresentação de cantores regionais.
“Tenho cantores fixos aqui, sempre procuro colocar toda semana uma galera daqui, igual o André Pantera que é um excelente músico e está aqui sempre. Valorizo bastante a galera aqui de Dourados, do Estado. Até na valorização do nome desses músicos eles mesmos me falam que o Jangoo ajudou bastante, porque cantavam em bares, o pessoal via eles tocando, mas não tinha aquela referência de quem era. Eu monto bandas para tocar aqui, chamo músicos que são muito bons”.
Futuro: ‘Bar da Copa’ e ampliação do espaço
Este ano o Jangoo Pub completa dois anos em funcionamento bem ‘no meio’ da Copa do Mundo. Por conta disso, o ‘parabéns’ será especial, como adianta Rafhael aos fãs da casa. Decoração temática, abertura em horário especial, entre outras atrações estão no plano.
“Vou trazer o Reação em Cadeia para comemorar o nosso aniversário, no dia 6 de junho, porque foi uma atração que a gente trouxe e que teve um sucesso muito grande, ficou marcado. Vamos tornar o Jangoo Pub o Bar da Copa, com um funcionamento especial e decoração temática. Eu criei isso na minha cabeça, e acho que vai dar muito certo”.
Por fim, o empresário revelou também que, por causa do sucesso, pretende mudar o Pub de local, mas sem fugir da identidade que hoje, conforme ele mesmo avalia, se tornou uma “marca forte” no Estado.
“Considero tudo que fizemos e estamos fazendo muito positivo. Agora o plano é construir meu prédio, porque aqui é alugado, e nós vamos expandir, não muito, mas será um lugar com outros atrativos, ainda que mantendo a essência do Jangoo que a galera curte hoje. Não posso falar ainda, é segredo, mas vai ser algo bem legal, eu garanto. Serão coisas que em Dourados não tem, mais diferentes do que a gente já oferece hoje. Coisas que eu viajo, vejo por aí, e vou misturando com as minhas ideias”.





