Brincar é fundamental para o desenvolvimento infantil. Segundo especialistas, quando brincam, meninos e meninas exercitam e melhoram suas capacidades emocionais, intelectuais, motoras e sociais, desenvolvendo o corpo e colocando em prática, de forma despretensiosa, o conteúdo escolar.
Dentro dessa proposta, é desenvolvido pelo Estabelecimento Penal Masculino de Coxim (EPMC) – uma das 45 unidades penais da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) – um projeto no qual internos trabalham na produção de brinquedos pedagógicos para serem distribuídos gratuitamente a escolas e creches da rede pública da cidade. A ação faz parte de uma parceria com o Conselho da Comunidade local que fornece os materiais e a instrutora que coordena a produção.

De acordo com a administradora do EPMC, Maria de Lurdes Avalhães Correa Peralta, nessa primeira etapa 13 instituições educacionais serão beneficiadas. “Estávamos aguardando o início das aulas para programarmos a distribuição”, informa.
Os custodiados também aprendem e desenvolvem a confecção de bijuterias, bordados, já está prevista também uma qualificação para decorarem chinelos. “Essas peças são vendidas para pessoas que visitam o presídio, ou mesmo durante exposições na cidade. O dinheiro arrecadado é revertido para a compra de mais materiais”, comenta a administradora.


Conforme o diretor do presídio, Edílson Ferreira, atualmente na unidade prisional aproximadamente 80% dos reeducandos trabalham e/ou estudam. E projetos culturais e de assistência religiosa são desenvolvidos com frequência.
Entre as iniciativas realizadas está o projeto “Literatura uma porta aberta para o futuro”, que consiste no empréstimo de obras literárias aos reclusos e na produção de textos sob orientação, produzindo desde gibis, histórias infantis a romances e letras de músicas.
Com o apoio da Igreja Católica, os detentos participam também da “Escola de Perdão e Reconciliação em Práticas de Justiça Restaurativa”, coordenada pela Pastoral Carcerária, no qual internos considerados “mais agitados” assistem palestras e fazem atividades terapêuticas em grupo.
J. L. D., 35 anos, foi um dos participantes. Preso por tráfico de entorpecentes, ele garante que aprendeu “a agir em situações de conflito dentro do presídio e na vida como um todo”. “Aprendemos a desenvolver a serenidade, a respeitar o espaço do outro, e isso tem melhorado muito nossos relacionamentos”, afirma.