Isabella e Maria Júlia foram selecionadas para integrar equipe do Sesi de Campo Grande na Copa Brasileira de Interclubes; competição acontece na capital catarinense
Com apenas 14 anos, duas jovens atletas de vôlei de Aquidauana estão prestes a viver uma experiência que começou a ser moldada ainda na infância. Isabella Nowak Wendisch e Maria Júlia Savieto Oliveira foram selecionadas para integrar a equipe do Sesi de Campo Grande na Copa Brasileira de Interclubes, competição que será realizada em Florianópolis (SC) desta segunda-feira (24) até o dia 30 de agosto.
A oportunidade representa um novo passo na trajetória das duas adolescentes, ambas alunas do Instituto Educacional Falcão e que praticam vôlei desde que eram crianças. Hoje, elas precisam conciliar treinos, estudos, viagens e os desafios de uma rotina cada vez mais próxima do alto rendimento.
Isabella conta que começou a jogar entre 06 e 07 anos, depois que se mudou para Aquidauana, e teve no professor Guto Portocarrero uma das principais referências em sua formação. A convocação para a competição nacional foi recebida com alegria, principalmente pela concorrência entre atletas.
“Fiquei muito feliz, porque é muito difícil. Tem várias meninas boas e eu fiquei muito feliz por ser uma delas”, celebra.
A rotina de preparação também trouxe mudanças. Para participar dos treinamentos em Campo Grande, as atletas precisam percorrer cerca de 140 quilômetros – de ida e volta. As viagens são feitas pelas famílias, que se revezam para acompanhar as meninas. Para Isabela, a adaptação não aconteceu de um dia para o outro.
“No começo foi bem difícil, mas, aos poucos, fui me adaptando melhor, principalmente em questão das viagens”.
Maria Júlia começou ainda mais precocemente. Aos 05 anos, entrou no mundo do vôlei, inicialmente como uma brincadeira, naturalmente. O que começou de forma despretensiosa, porém, ganhou outro significado ao longo do tempo,
“Nunca imaginei chegar onde estou hoje, mas é um sonho que estou vivendo”, reflete. Na trajetória, ela também aponta Guto como uma figura importante. “Ele foi o meu primeiro treinador e foi o que mais me ajudou até hoje”.
A convocação para a Copa Brasileira de Interclubes foi descrita por Maria Júlia como “uma alegria imensa” e um sonho que começou a se tornar realidade. Para a competição, ela pretende levar dedicação, concentração e foco, sem deixar de lado a vontade de se arriscar dentro da quadra.
A adolescente também precisou aprender a organizar melhor o tempo para conciliar o esporte com a escola. Depois de um período de adaptação, afirma que encontrou uma rotina que permite manter os estudos em dia sem abandonar os treinamentos.
Desafios
Mais do que a competição, entretanto, as duas atletas carregam um objetivo maior. Isabella deixa uma mensagem para quem pensa em abandonar um sonho diante das dificuldades.
“Pode ter dias ruins e dias bons, mas o importante é não desistir”, ensina a jovem atleta.
A amiga Maria Júlia conhece bem esse sentimento. Antes de chegar ao momento atual, passou por uma fase em que pensou em parar de jogar por sentir que as oportunidades não apareciam.
“As portas não estavam se abrindo, mas eu não desisti”, relembra.
Segundo ela, o incentivo da família e do professor Guto foi fundamental para que continuasse acreditando.
Apoio familiar
O apoio também aparece na rotina da família. Caroline Novak, mãe de Isabella, conta que os deslocamentos até Campo Grande fazem parte do esforço para que a filha possa aproveitar a oportunidade. Além dos 280 quilômetros totais percorridos diariamente nos dias de treinamento, o processo envolve toda a organização necessária para conciliar a atividade com o trabalho e os estudos.
“Realizar um sonho não só dela, mas da família”, destaca Caroline.
Para ela, o esporte tem importância que vai além da possibilidade de uma carreira profissional. A experiência ajuda as crianças e adolescentes a aprenderem a lidar com frustrações, vitórias e trabalho em equipe, além de manterem uma rotina de atividades.
“Mesmo se não for para frente profissionalmente, eu acho que vale a pena cada minuto que as meninas passam com o esporte”, conclui.
Agora, Isabella e Maria Júlia se preparam para deixar Aquidauana e viver uma experiência inédita em uma competição de alcance nacional. Ao lado de novas companheiras e diante de adversárias de diferentes partes do país, elas terão a oportunidade de colocar em quadra tudo o que construíram desde os primeiros passos no vôlei.
Inspiração que vem da terra
Conhecido pela atuação na formação de jovens atletas em Aquidauana, Guto foi lembrado pelas duas como alguém fundamental em suas trajetórias. No entanto, outra inspiração citada por elas também teve o início da trajetória esportiva diretamente ligada ao professor. Trata-se, claro, da aquidauanense Talita Antunes, uma das maiores jogadoras da história do vôlei de areia brasileiro, três vezes Rainha da Praia e multicampeã na modalidade.
Para as famílias, o desafio agora é acompanhar as meninas em mais uma etapa, com o coração apertado pela distância, mas também com a tranquilidade de saber que todo o esforço feito até aqui ajudou a abrir uma nova porta. E, para Isabella e Maria Júlia, a próxima parada é Florianópolis, onde o sonho que começou ainda na infância ganhará uma nova quadra e uma dimensão nacional.









