Procon estadual criou grupo de trabalho para monitoramento dos valores
A guerra no Oriente Médio já espalha seus reflexos pelo mundo, principalmente na economia. Em Mato Grosso do Sul, quem precisa abastecer com diesel já sente no bolso a alta dos preços, que também preocupa o setor dos transportes.
Com valores de quase R$ 7 reais o litro do diesel em Campo Grande, quem enche o tanque tem sentido o peso da alta nos valores. Luiz Morais é construtor e roda quase 100 quilômetros por dia, mas abastecer virou uma conta difícil de fechar no fim do mês.
“Até semana passada a gente estava pagando na faixa de R$ 5,99 e agora esses dias vem pra R$ 6, R$ 6,79, você acha de tudo quanto é preço na cidade, tá difícil, quase R$ 7 reais”.
Luiz Carlos Morais, construtor
No setor de transporte o impacto também preocupa, pois quando o combustível sobe, o aumento também chega para o consumidor, no caixa do supermercado. Claudio Cavol, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Estado de Mato Grosso do Sul (Setlog-MS), relata que em 24 horas, ouviu relatos que o valor do combustível subiu 20 centavos, e em cidades do interior, mais de R$ 2 reais por litro.
“Com certeza isso vai refletir no bolso do consumidor, porque não tem outro jeito. Tudo no Brasil, a grande maioria das mercadorias que nós consumimos no supermercado, são transportadas por caminhão”.
Claudio Cavol, presidente do Setlog
O diesel disparou nas bombas desde o início da Guerra no Oriente Médio. Em MS, o valor médio do combustível já subiu 78 centavos, sem previsão de redução, conforme o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de Mato Grosso do Sul (Sinpetro).
Segundo Edson Lazarotto, diretor-executivo do Sinpetro, a situação não é isolada, sendo um cenário muito volátil, com subidas de preço diariamente desde 28 de fevereiro, data em que o conflito iniciou.
“O produto diesel impacta em todos os setores, no transporte coletivo, transporte de alimentos, no agronegócio. Ele é um produto essencial para uma economia, e isso não está impactando só no país. Está impactando, por exemplo, Portugal, Alemanha, que são países do primeiro mundo, já estão com dificuldade não só no preço, porque isso oscilou muito, mas também a falta do produto.
Nós ainda não temos nenhuma possibilidade de falta do produto nesses próximos 30 dias. Mas o preço tende a oscilar”.Edson Lazarotto, diretor-executivo do Sinpetro
No entanto, conforme Lazarotto, no momento não há nenhuma projeção de falta de produto, mas à medida que a guerra continua, a preocupação da falta de soluções definitivas vai surgindo.
Fiscalização nas bombas
Diante da instabilidade nos preços, o Procon estadual criou um grupo de trabalho para monitorar os reajustes, e nos últimos dias, aumentou o número de denúncias sobre a comercialização do combustível.
O grupo já analisa 10 ocorrências registradas nos últimos dias. Para a população, a orientação é que acionem o 151 ou acesse o “Fale Conosco“, no site do Procon, em caso de irregularidades.
“Nós estamos no livre mercado na questão do combustível. Então, ninguém é obrigado a praticar um preço tabelado pelo governo. E num momento de crise desse, todo mundo se aproveita”.
Antonio José Angelo Motti, secretário-executivo de Orientação e Defesa do Consumidor do Procon-MS
Fonte: Primeira Página






