Violeiro, compositor, cantor, instrumentista e ator, Almir Sater se apresenta neste domingo, 16 de novembro, no Palácio Popular da Cultura, em Campo Grande. Em entrevista, Sater fala de como é voltar a Campo Grande, dos seus shows, projetos e inspirações e ainda sobre os 30 anos de carreira. Confira.
O que você prepara para o show em Campo Grande? Há novidades?
Meu show no domingo é como todos os meus shows, há 30 anos. Meu show são as minhas canções. As quais eu tenho viajado pelo Brasil, algumas canções de outros shows também são incluídas. Eu sou um compositor acima de tudo, um violeiro, mas um compositor, estou com uma banda especial, com um show que é bem nosso. Quem me acompanha é meu irmão Rodrigo Sater, minha irmã Gisele Sater, Marcelus Anderson e o Guilherme Cruz, do Filho dos Livres. Estou muito bem acompanhado, são excelentes artistas. Meu show é muito livre, mas em cima das minhas canções, do meu som, do meu velho som.
Para você, é especial se apresentar em Campo Grande? É diferente, encontro meus amigos, minha família, é a cidade que alavancou minha carreira musical. É diferente você chegar e achar seus amigos, é um lugar que eu fico feliz de apresentar o meu som, a minha evolução musical, de me apresentar melhor. Eu fico muito a vontade. Eu sempre quero tocar melhor, mais fluente. E eu acho que eu toco melhor as músicas hoje do que quando foram compostas, gosto do resultado atual, a música que eu fiz está sempre em movimento. Cada dia sai de um jeito, pode parecer a mesma música, mas é a mesma música com uma emoção nova, a pulsação é nova. Acontece muito no momento, o estado emocional influencia no som. Eu sempre quero fazer o melhor show do mundo, sempre quero tocar melhor.
Você tem novos projetos em andamento?
Estou com uma produção ao lado do Renato Teixeira. Tento algumas músicas, a gente se sente vivo enquanto produz. Na arte, você tem que produzir sempre, produzir novas músicas, anima o coração.
O que te inspira a compor? De que maneira o Mato Grosso do Sul influencia suas letras?
Não existe um manual, uma regra para compor. Existe um estado de composição. Ficar perto do instrumento, em um lugar confortável, que você se sinta em paz, mas não existe um manual, por isso, a classe dos compositores é meio doida.
Quais são as canções do disco 7 Sinais que estarão no repertório? Por que a escolha por esse trabalho?
Maneira Simples e Rastro da Lua Cheia fazem parte do show. Às vezes toco Cubanita.
O que pode dizer sobre a influência da viola e do violão folk em suas músicas?
Minha geração é assim. Foi influenciada pela música inglesa, pelos Beatles, por bandas inglesas. Eu mais toco do que escuto, às vezes quando eu estou gravando escuto algo, quando estou trabalhando é difícil.
Qual a sua avaliação sobre esses 30 anos de carreira? Em que sua música amadureceu nesse tempo, e quais os objetivos que ainda almeja atingir?
É como eu disse anteriormente. Trem do Pantanal é uma canção que eu sempre toco, que eu gosto e deixo livre, nunca é a mesma coisa. Já tocava Trem do Pantanal antes de tudo e hoje eu gosto mais do resultado. É um momento do show que eu gosto, a música amadurece.
Manoel de Barros faleceu hoje aos 97 anos. Como você vê a trajetória desse poeta que levou tanto o nome do Pantanal e de Mato Grosso do Sul ao mundo?
Manoel foi um grande poeta, fico honrado de ser conterrâneo dele, de ter vivido na mesma época, de tê-lo conhecido, convivido com a sua família. Gravei um especial uma vez pela TV Cultura na casa dele, um homem maravilhoso, merecia muito mais, produziu, recebeu muito e merecia tudo isso. É um grande ser.