Campo Grande (MS) – O sonho de 110 famílias agrícolas, do município de
Santa Rita do Pardo, de terem a situação regularizada quanto às suas terras
está cada vez mais perto de se tornar realidade. Isso graças as
autorizações de ocupação dos lotes da comunidade agrícola São Tomé, que
foram entregues pelo governo do Estado, por meio da Agraer (Agência de
Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural), em parceria com a prefeitura da
cidade e a União.
Para a produtora rural e mãe solteira Jaqueline Leite, de 25 anos, a
documentação é sinônimo de segurança para ela e o filho de 9 meses, Nicola
Emanuel. “Agora, eu tenho um papel que diz que aquilo lá é meu. Em casa,
quando você tem que tomar conta de tudo sozinha há uma necessidade de maior
certeza e o documento me dá isso. No futuro, deixarei meu filho seguro”,
afirmou com um sorriso.
Com 15 anos de existência, o assentamento de 25 hectares de extensão é
dividido em 110 pequenas propriedades que produzem os mais diversos tipos
de produtos, como: maracujá, colorau, hortaliças, leite, carne bovina e
suína, café, mandioca, entre outros.
Das mãos do diretor-presidente da Agraer, Enelvo Felini, o casal de
agricultores Adélia e Domicio Leal, recebeu toda a papelada que dá início
ao processo de regularização definitiva da terra, ocupada por há 15 anos.
“Temos 53 anos de casados e lembro que em 1999 chegamos aqui para morar em
um barraco. Depois construímos a nossa casinha, mas nesses anos todos não
tínhamos a sensação de que ela era nossa de verdade e, hoje, isso muda”,
disse o senhor de 72 anos.
A próxima etapa para a legalização definitiva do São Tomé é a entrega dos
títulos dos terrenos. Até o final do ano, a Agraer pretende assentar pelo
menos 400 famílias em todo o Estado. “Queremos dar valor a terra e ter um
estado com a força da agricultura familiar. Já estamos estudando a
possibilidade de trazer mais um técnico agrícola ou engenheiro agrônomo
para a Santa Rita do Pardo. Assim teremos mais alguém para elaborar
projetos que tragam mais recursos do Pronaf à região”, afirmou Enelvo
Felini.
Na cidade, os produtores conseguiram movimentar só este ano R$ 1,8 milhão
em recursos do Plano Safra 2014/15. Montante esse que teve um aumento de R$
300 mil, se comparado a edição de 2013/14 que foi de R$ 1,5 milhão. “Todo
esse dinheiro ajuda a aquecer a economia do município. Em parte, devemos
esses valores ao trabalho dos escritórios locais da Agraer”, lembrou o
diretor-presidente.
A cerimônia de assinatura do Termo de Ocupação dos lotes foi realizada no
barracão do assentamento, na última quinta-feira (20). Participaram da
solenidade o prefeito do Município, Cacildo Dagno, o vice-prefeito, José
Milton, o presidente do assentamento São Tomé, Adir Bispo, o delegado do
Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA/MS), Gerson Faccina, o gerente
da Regularização Fundiária e Cartografia da Agência, Humberto Maciel, o
coordenador regional da Agraer de Três Lagoas, José Américo Boscaine, além
de vereadores e autoridades locais.
Também estiveram presentes na solenidade, os profissionais da Agraer que
atuaram no processo de legalização dos lotes, entre eles: Cláudio Roberto
Nunes, Luiz Marcelo Verão, André Borges e Ilse Junges (engenheiros
agrimensores), Orlando Cintra (engenheiro agrônomo), Gorette Aparecida
Bento (assistente social) e André Silva (técnico agrícola da Agência de
Santa Rita do Pardo).
*Patrulha Mecanizada*
Em apoio a agricultura familiar de Santa Rita, a Agraer ainda assinou, no
dia 20 de agosto, um termo de cedência de uso de uma patrulha mecanizada. O
acordo firmado com a prefeitura e o assentamento Avaré determina que a
gerência do equipamento ficará sob responsabilidade do Município, contudo,
sem sair das dependências da comunidade agrícola.
“Não tínhamos condições de bancar todas as despesas de manutenção, salário
do tratorista e combustível. Daí a ideia de firmar essa aliança para que
agricultores tenham uma ajuda”, explica a presidente do Avaré, Raquel dos
Santos.