Sargento autor de massacre no Afeganistão pega prisão perpétua

O sargento americano Robert Bales, que admitiu ter assassinado 16 civis no Afeganistão, foi sentenciado nesta sexta-feira (23) à prisão perpétua sem direito a liberdade condicional.

Mas ele poderá pedir “clemência” ao exército após 20 anos de reclusão. Caso seja perdoado, Bales poderá entrar com um pedido de liberdade condicional.

Os seis membros do júri, reunidos na base militar de LewisMcChord, nas proximidades de Seattle (estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos), demoraram menos de duas horas para deliberar a sentença.

A condenação à prisão perpétua já havia sido sentenciada no momento em que o acusado declarou-se culpado. O júri deveria apenas se pronunciar sobre uma eventual possibilidade de liberdade condicional.

Pela primeira vez, Bales pediu desculpas às famílias das vítimas, ao afirmar que teve um comportamento “covarde”.

Bales tomou a palavra durante a audiência na qual foi anunciada a sentença pelo que é considerado o crime mais grave cometido por um militar americano na guerra do Afeganistão.

“O que fiz foi um ato de covardia, por trás de uma máscara de medo, mentira e valentia”, declarou, de acordo com o jornal “Seattle Time”.

Sargento Robert Bales (esq.), em foto de agosto de 2011 (Foto: Spc. Ryan Hallock / DVIDS / AFP)Sargento Robert Bales (esq.), em foto de agosto de 2011 (Foto: Spc. Ryan Hallock / DVIDS / AFP)

O sargento de 40 anos se declarou, em junho, culpado de ter matado 16 civis, entre eles nove crianças, depois abandonar sua base em 11 de março de 2012 no distrito de Panjwayi, na província de Kandahar, sul do Afeganistão.  Sinto muito, verdadeiramente sinto, pelo que fiz a estas pessoas”, disse Bales.

“Matei suas famílias. Se pudesse trazer seus parentes de volta, eu faria em um instante”.

Ao se declarar culpado, ele evitou a possibilidade de ser sentenciado à pena de morte.

“Não há sentença mais adequada para o massacre desmedido de 16 inocentes, uma sentença reservada aos piores crimes e aos piores criminosos, e é a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional”, declarou o tenente-coronel e procurador militar Joseph Morse na manhã desta sexta-feira antes da deliberação do júri.