Pesquisadores de MS buscam medicamento com plantas nativas para tratar dengue; Saiba mais

 

Foto: Reprodução TV MS RecordSó o acervo da Universidade Anhanguera Uniderp tem catalogadas sete mil espécies de plantas nativas

 
 
 
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Pesquisadores do Estado trabalham em busca de um novo medicamento para a dengue. A pesquisa está sendo feita em conjunto por várias instituições a partir de plantas da nossa região. Os bons resultados já começam a aparecer e os testes devem começar a ser feitos em camundongos e depois em humanos.

Só o acervo da Universidade Anhanguera Uniderp tem catalogadas sete mil espécies de plantas nativas do cerrado e do pantanal, coletadas nos últimos seis anos.

“Nós chegamos do campo e o primeiro procedimento a fazer é montar a prensa para passar pelo processo de desidratação, então ela vai para estufa e permanecer de 5 a 8 dias, dependendo da umidade que ela apresenta e depois do processo ele fica em um conjunto de proteção, colada na cartolina e uma ficha de identificação”, diz a engenheira agrônoma Eloty Dias Schleder.

Já no laboratório da Universidade Católica Dom Bosco, as plantas são desidratadas e passam por um processo de extração.

“As plantas são encaminhadas para a secagem, para trituração, são elaborados extratos e feito extratos in vivo e em vidro, após a sinalização que esse extrato tem potencial, então novamente utilizamos apenas aquelas plantas  que obtiveram ação para fazer o fracionamento”, diz a química, Rosemary Matias.

O extrato passa por uma análise prévia. Algumas descobertas podem surgir nessa fase.

“Tem finalidade antioxidante, antinflamatório e antitumoral que em seguida tentamos isolar esse moléculas ativas para tentar um fitoterápico”, diz a famacêutica, Mami Yano.

Para a pesquisa coordenada pela Fundação Oswaldo Cruz, foram selecionadas as espécies com maior potencial analgésico e anti-inflamatório. Há dois anos, os extratos vegetais vêm sendo testados em células infectadas com os vírus dos tipos dois e três da dengue. Quatro espécies apresentaram uma reação que surpreendeu os pesquisadores.

“Nós observamos alterações graves nas células, principalmente o digest[ório da larva e também essas alterações não permitia que essas larvas se alimentassem, morrendo em consequência”, diz a biológa, Doroty Mesquita Dourado.

Os nomes das plantas com poder de cura ainda são mantidos em segredo, mas, segundo a coordenadora da pesquisa, já se sabe que uma das espécies inibiu totalmente a reprodução do vírus da dengue.

“Uma  delas inibiu a replicação viral em 100% ”, diz a coordenadora da pesquisa, Jislaine Guilhermino.

A pesquisa, que conta com a parceria de universidades de Mato Grosso do Sul e do rio de janeiro, é uma esperança para a criação de um remédio para tratar pacientes com dengue, diminuindo ou eliminando a carga viral.

O próximo passo é testar os extratos com potencial de combate ao vírus em camundongos. Só depois, dependendo dos resultados, é que os experimentos vão ser feitos em humanos. Os pesquisadores estão otimistas, mas todo esse processo leva tempo. Estima-se que para se chegar a um medicamento sejam necessários mais 10 anos de pesquisa.

“O nosso objetivo é desenvolver um medicamento para tratara dengue nesse caso não seria uma vacina e nem um produto para o controle do vetor, mas sim um medicamento para tratar a doença”, finaliza, Jislaine. (Com colaboração Luiz Felipe Fernandes TV MS Record)