MORTE NO TRÂNSITO: Embriagado, servidor municipal arremessou vítima a 55 metros

MORTE NO TRÂNSITO: Embriagado, servidor municipal arremessou vítima a 55 metros

Moisés Luis da Silva, de 22 anos, que morreu atropelado por veículo UP na madrugada desta quinta-feira, em Campo Grande, foi arremessado a 55 metros. A distância, afirma a polícia, aponta que o carro estava em alta velocidade. O condutor, identificado como o servidor municipal Alderson Fante da Silva, 33, foi preso em flagrante em casa, no Carandá Bosque, visivelmente embriagado.

Segundo o delegado Enilton Pires Zalla, plantonista da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do Centro, que atendeu a ocorrência, Alderson responde por dois crimes. O principal é homicídio culposo qualificado por embriaguez ao volante, agravado pelo fato de não ter prestado socorro ao rapaz e por tê-lo atingido na faixa de pedestre. Também será indiciado por fugir do local.

O delegado explica que Moisés trabalhava no Carrefour e havia saído do serviço com amigos, quando eles decidiram ir para uma conveniência localizada na esquina da Avenida Ceará com a Rua Euclides da Cunha, no Bairro Santa Fé. Por volta da meia-noite, o grupo parou em uma mureta em frente à conveniência, na Ceará, mas do outro lado da rua.

Em seguida, tentaram atravessar a via na direção do estabelecimento, quando houve a colisão. Tudo foi gravado por câmeras de segurança. “As imagens são impressionantes porque inicialmente mostram dois rapazes atravessando pela faixa de pedestres e logo em seguida um deles simplesmente some. Foi preciso passar o vídeo pausadamente para que conseguíssemos ver o carro atropelando a vítima, o que indica a alta velocidade”, disse o delegado.

A perícia técnica da Polícia Civil vai averiguar os vídeos para calcular a qual velocidade Alderson conduzia o UP. A vítima foi lançada a 55 metros e morreu antes mesmo que pudesse ser encaminhada ao pronto-socorro. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou a ser acionado, mas pôde apenas atestar o óbito do jovem. “É visível que o carro estava tão rápido que a vítima mal percebeu a aproximação”.

INVESTIGAÇÕES

Depois do acidente, Alderson fugiu, mas não percebeu que a placa do automóvel caiu no local. A Polícia Militar foi informada e, com base nos dados colhidos, conseguiu localizá-lo em sua residência, no Carandá Bosque, visivelmente embriagado. Os militares apresentaram ao delegado Termo de Constatação de Alteração da Capacidade Psicomotora, já que o autor não quis fazer o teste do bafômetro.

“Ele não fez, mas estava com claros sinais, como fala embargada, olhos avermelhados, odor etílico e andava cambaleando”, explicou. Durante depoimento, o homem se recusou a prestar informações. “Ele alega que voltava para a casa quando sentiu a batida e foi embora porque ficou com medo de ser linchado. Também disse que estava a 50 quilômetros por hora, mas tudo leva a crer que a velocidade estava acima da permitida para a via”.

Acostumado a lidar com situações deste tipo quase que diariamente, o delegado fez desabafo e disse estar cansado de ver pessoas mortas nas vias por causa de bebida. Por este motivo, faz o possível dentro que permitido na lei, para endurecer a condição dos presos em flagrante por embriaguez ao volante. “Tenho sido rígido no que tange à aplicação de fianças e já estou colocando em prática as mudanças do código penal. Este motorista vai responder por crime com pena de cinco a oitos de prisão, sem mencionarmos os agravantes”.

RENAN NUCCI

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