Livros que resgatam a história de MS são lançados em Campo Grande

Campo Grande (MS) – Com investimentos do Fundo de Investimentos Culturais (FIC), da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul (IHGMS) lança oito livros da Série Memória Sul-Mato-Grossense  durante solenidade cultural que será realizada nesta quarta-feira (23.5), às 19 horas, no auditório Acyr Vaz Guimarães, localizado na avenida Calógeras 3.000 Centro. Os livros abordam temáticas variadas sobre o Estado, de autoria de associados do Instituto e pesquisadores convidados. Todos os livros ficarão expostos para consultas e pesquisas, e também à venda na livraria do IHGMS.

O livro Jean Serrou Camy – Um francês dos Pirineus no coração do Brasil, de autoria de Ely Carneiro de Paiva, surpreende por várias razões. O autor descreve as condições em que viviam os europeus que optaram por vir para a América e, especialmente, para o Sul de Mato Grosso uno, e desvela, com riqueza de informações e ineditismo a ocupação da extensa região de Coxim, abrangendo parte do Pantanal e o vale do rio Piqueri – cuja história era, até então, pouco conhecidaO protagonista da história é o francês Jean Serrou Camy.

Nos dez anos em que passou no Sul de Mato Grosso de então, o cearense José de Melo e Silva escreveu Fronteiras Guaranis e Canaã do Oeste, dois livros indispensáveis à compreensão de nosso Estado. Canaã do Oeste – que teve uma edição reduzida, em 1989 – relata aspectos físicos, econômicos e históricos do então Sul de Mato Grosso, em que o autor chamava de Canaã, lugar onde a terra prometia.

Em Fronteiras Guaranis o pesquisador exigente deixa em seu texto o profundo conhecimento historiográfico sobre o Estado, destacando-se o relato às impressões pessoais.

O Estado de Mato Grosso e as supostas terras do Barão de Antonina, Astolfo Vieira  relata que o Barão de Antonina pretendia, até por interesses do governo imperial, encontrar um caminho que, partindo do Paraná, chegasse ao baixo Paraguai, porque a viagem fluvial de Porto Feliz para Cuiabá já se tornava impraticável e a navegação pelo rio Paraguai, além de demorada, era dificultada pelo governo daquele país. O livro relata ainda a formação de uma bandeira chefiada por Joaquim Francisco Lopes, que entrou pelo Sul do Mato Grosso uno, chegando até Albuquerque e, de volta para a região de Vacaria, começou a explorar os rios que da serra de Maracaju vertem ao Paraná.

Eurípedes Barsanulfo Pereira, no livro História da Fundação de Campo Grande, afirma que a intenção era apenas reproduzir, na forma de uma home page, excertos do resumo histórico da fundação da capital sul-mato-grossense, que o seu pai, Epaminondas Alves Pereira, publicara em 1972. O autor expõe, com detalhes, as viagens de José Antônio Pereira –  de quem é trineto – de José Antônio Pereira entre o povoado de São Francisco das Chagas do Monte Alegre (Minas Gerais) e o Arraial de Santo Antônio de Campo Grande. A semelhança entre as duas cidades de antigamente constrói a memória de Campo Grande.

O livro Jean Serrou Camy – Um francês dos Pirineus no coração do Brasil, de autoria de Ely Carneiro de Paiva, surpreende por várias razões.

A história de Mato Grosso de Sul resgatada em diferentes aspectos e perspectivas.

Em sua terceira edição, Onde cantam as seriemas pode ser considerado um clássico de Otávio Gonçalves Gomes, que reúne as figuras e episódios que o canto das seriemas evocara no espaço e tempo das lembranças indeformáveis.  “É um documento que a história valoriza porque fixou pormenores na limitação geográfica dos acontecimentos” escreveu, no prefácio da primeira edição (1975), Luís da Câmara Cascudo. Seriemas são aves dos campos e do cerrado do Centro-oeste brasileiro. São as seriemas do caboclo – destaca o autor – cujo vocábulo tem origem indígena: seri mais ema quer dizer, ema sem crista.

Os historiadores Valmir Batista Corrêa e Lúcia Salsa Corrêa, autores de Memória da Grande Guerra, confessam que tiveram como propósito publicar fragmentos da documentação sobre a Guerra do Paraguai (1864-1870), como um recorte dramático da história de Mato Grosso do Sul. A importância da série transparece nos textos raros e de difícil acesso, destacando-se relatos dos que sofreram as consequências da invasão e do domínio temporário do Paraguai sobre o território que hoje corresponde a Mato Grosso do Sul. Horror semelhante só ocorreu no processo de conquista nos séculos precedentes ao XIX com o genocídio dos grupos indígenas.

E o oitavo livro da Série Memória é Corumbá, terra de lutas e de sonhos, de Valmir Batista Corrêa, é fruto de três décadas de pesquisas que resultaram em diversos artigos, interligados em um cordão umbilical: a compreensão da rica e completa história de Corumbá. Apesar de alguns já publicados, retornam aqui reapresentados e refundidos em uma versão atualizada e acrescida de novas informações históricas e documentais. Os artigos demonstram que a história não é feita de apenas heróis, mas por homens e mulheres que lutaram para sobreviver no dia a dia. Com um novo olhar, o historiador pretende resgatar a gente corumbaense do limbo histórico a que foi relegada.

O secretário Estado de Cultura e Cidadania, Athayde Nery, destaca a importância das obras para a preservação da memória, e para lançar um olhar sobre a formação sociocultural do Estado. “A série Memória Sul-Mato-Grossense, desenvolvida pelo Instituto Histórico, nos brinda, a cada edição, com o resgate de nossas tradições, e das influências que marcaram a formação da nossa identidade. Essa parceria, que já vem de muito tempo, trouxe à luz obras preponderantes para o entendimento do percurso que nos trouxe até aqui”.

André Messias – Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS)

Foto: Edemir Rodrigues

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