Gás caro traz carvão de volta às usinas

O alto custo do gás natural utilizado nas usinas térmicas do Brasil obrigou o governo a incluir projetos que usam carvão como combustível no próximo leilão previsto para agosto, disse hoje (04) o presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tolmasquim.

 

Os leilões periódicos de energia não permitiam a presença de usinas térmicas a carvão desde 2008, por seu alto grau poluente. A pior seca dos últimos 50 anos no final de 2012 acendeu a luz amarela do setor, que, segundo Tolmasquim, não pode prescindir de usinas térmicas por questão de segurança. “Vimos agora nesse período de seca como precisamos das térmicas”, disse o executivo.

 

Ontem, 34 usinas térmicas a diesel e óleo foram desligadas, após operarem continuamente desde outubro de 2012 para evitar o racionamento de energia no país. As unidades desligadas correspondem a dois terços do custo de todas as térmicas do país, e vão gerar uma economia de R$ 1,4 bilhão por mês por estarem fora do sistema.

 

O próximo leilão, com compra de energia para 2018 (chamado A-5) será em agosto. Um segundo leilão, também com compra de energia para daqui a cinco anos está previsto para o final deste ano, possivelmente em dezembro, segundo Tolmasquim.

 

Apesar da expectativa de que os campos gigantes do pré-sal contribuam para fornecer gás para a matriz energética, Tolmasquim afirmou que a maior parte desse gás será reinjetado para aumentar a produção de petróleo desses campos, e por isso não é possível contar com ele.

 

Já o GNL (Gás Natural Liquefeito) importado pela Petrobras para garantir a operação das usinas térmicas do país tem saído muito caro, segundo o executivo.

 

Agora, a aposta do governo é o próximo leilão de gás natural convencional e não convencional previsto para novembro.

 

“Não podemos ficar contando com um gás que não existe ainda. O consumo residencial e comercial de energia tem aumentado na ordem de 6%, não podemos arriscar”, disse Tolmasquim durante evento sobre energia na Fundação Getúlio Vargas.

 

Ele afirmou que, apesar de ter banido o carvão, a segurança do sistema é mais importante. “Pode ser que o leilão de gás natural mude esse cenário, mas temos que estar garantidos.”