Em Jardim, CPI encontra falta de especialistas e alto custo da saúde

A sétima reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia Legislativa aconteceu nesta segunda-feira (12) na cidade de Jardim, onde ficou constatado que os principais problemas no município são a falta de médicos especialistas, o alto custo para manter as despesas com a saúde e a falta de interlocução entre o Conselho Municipal de Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde. A oitiva foi realizada na Câmara Municipal e mais de 100 pessoas acompanharam o depoimento na Casa de Leis.

 

Oitiva foi realizada na Câmara Municipal e mais de 100 pessoas acompanharam o depoimento – Divulgação

Oitiva foi realizada na Câmara Municipal e mais de 100 pessoas acompanharam o depoimento – Divulgação

 

Segundo o atual secretário municipal de saúde, Jorge Cafure Junior, outro problema enfrentado na cidade são os recursos, considerados insuficientes. “O índice da folha salarial da saúde é muito alto e todos os profissionais são caros. A secretaria gasta R$ 532 mil mensais. Estamos discutindo a criação de um consórcio intermunicipal para contarmos com médicos especializados e baratear os custos”, comentou.

 

De acordo com Jorge Cafure Junior, o município atende pacientes das cidades vizinhas Guia Lopes da Laguna e Bela Vista e por isso necessita de mais recursos. O único hospital de Jardim, o Marechal Rondon, recebe pouco mais de R$ 260 mil mensais, recurso dividido entre a União, Estado e município. O problema é que a Prefeitura arca com a maior despesa. Hoje, o índice de investimento municipal é de cerca 28% da sua receita na saúde.

 

Ainda conforme Jorge Cafure Junior, faltam médicos especialistas em diversas áreas no município, assim como ocorre em várias cidades de Mato Grosso do Sul. “É muito difícil conseguir especialistas e mantê-los em Jardim. Estaremos nos reunindo com representantes dos municípios próximos no dia 30 deste mês para discutirmos quais são as especialidades que estão faltando e acharmos uma solução para esse problema, que deverá ser solucionado com o consórcio intermunicipal”, falou.

 

Os deputados ouviram, ainda, o ex-secretário municipal de saúde de Jardim, o qual destacou que durante sua gestão constatou que os problemas no setor são diários. “Houve o crescimento populacional, mas os recursos permaneceram os mesmos. Tivemos problemas nos repasses do Sistema Único de Saúde em 2012 e ficamos sem especialistas nas áreas de fisioterapia, pediatria e cardiologia. Era muito difícil encontrar profissionais para trabalhar em Jardim”, comentou.

 

Para Claudemyr Soares, além da falta de recursos, a saúde sofre com outro problema; a péssima estrutura das unidades hospitalares. “A saúde necessita com urgência de mais recursos, mas os governantes precisam melhorar também os prédios, que são precários para o trabalho dos médicos. Reclamamos desses profissionais, mas eles necessitam de melhores estruturas para desempenhar suas funções”, finalizou.

 

Já o atual diretor do Hospital Marechal Rondon, Marcos Antonio Ruiz, disse que atualmente a unidade tem um déficit mensal de R$ 15 mil. “Recebemos mensalmente R$ 266 mil mensais, mas o valor é insuficiente. Todo mês fechamos no vermelho. Um mês pagamos a conta de luz e deixamos de pagar a de água. No mês seguinte pagamos a conta de água e deixamos de pagar a de luz”, esclareceu.

 

Ainda de acordo com o diretor do Hospital Marechal Rondon, Marcos Antonio Ruiz, parte desse déficit é ocasionado por causa do atendimento dos pacientes das cidades vizinhas. “As pessoas vindas dos outros municípios têm parentes em Jardim. Eles vêm buscar atendimento aqui [Jardim] e para isso apresentam comprovante de residência de seus familiares. Aí somos obrigados atender e as despesas ficam para a Secretaria Municipal de Jardim”, finalizou.

 

Os mesmos problemas apontados por Marcos Antonio Ruiz foram relatados aos deputados pelo ex-diretor do Hospital Marechal Rondon, Heron dos Santos Filho. Por fim, os parlamentares ouviram o Presidente do Conselho Municipal de Saúde de Jardim, Luiz Carlos Ribeiro Cristaldo.

 

Ele esclareceu aos parlamentares que as orientações da entidade na maioria das vezes não são atendidas pela Secretaria Municipal de Saúde.“Parece que o controle social não é interesse da gestão. Temos dificuldade para garantir algumas políticas públicas previstas em lei, como a consulta pública à comunidade. Entendo as dificuldades do município, mas gostaria que o controle social fosse feito ouvindo as entidades. Muitas decisões são tomadas pela gestão municipal e não somos comunicados. Infelizmente nós não temos uma grande parceria com o Ministério Público. As respostas demoram e muitas vezes não são satisfatórias”, finalizou.

 

“Jardim não é diferente dos outros municípios onde já tivemos, os recursos repassados são insuficientes para cobrir os custos e a maior dificuldade é atrair médicos para realizarem os plantões. O município investe bem acima do percentual mínimo exigido legalmente, mas os valores pagos pelo SUS pelos procedimentos estão bem aquém dos custos dos mesmos procedimentos”, falou o deputado estadual Junior Mochi.

 

Para o deputado estadual Lauro Davi, ficou comprovado que a cidade consegue atender a população dentro das suas necessidades. “Se comparada aos locais que têm mais recursos, é possível constatar que Jardim está conseguindo cumprir sua função. A reunião mostrou que a CPI está no caminho certo”, ressaltou.

 

Conforme o deputado estadual Amarildo Cruz, presidente da CPI da Saúde em MS, a reunião em Jardim foi positiva. “O auditório da Câmara estava lotado. Conseguimos alcançar nosso objetivo, que é contar com o apoio popular. Esse controle social é fundamenta para o sucesso da nossa investigação”, finalizou.

 

Visita

 

Os deputados Lauro Davi e Amarildo Cruz aproveitaram a visita a Jardim e estiveram no Hospital Marechal Rondon. Lá, foram recebidos pela direção e tiveram a oportunidade de conhecer o espaço físico da unidade hospitalar. O local tem 37 leitos – nenhum deles de Unidade de Terapia Intensiva – disponibilizados para atendimento de urgência e emergência.

 

No local trabalham cinco médicos-cirurgiões, quatro clínicos-gerais e um médico-pediatra que fica de sobreaviso. Segundo o diretor da unidade, Marcos Antonio Ruiz, esses profissionais atendem mais de mil pessoas por mês.