Donos da Santa Casa dizem que vigilância só 'abriu olhos' para problemas após devolução

Éser Cáceres e Mariana Anunciação

 


 

Os donos da Santa Casa, que reassumiram o Hospital recentemente após oito anos nas mãos de uma junta interventora formada pela Prefeitura de Campo Grande e pelo Governo Estadual de Mato Grosso do Sul, acusam a Vigilância Sanitária de ter ‘aberto os olhos’ para irregularidades após a devolução.

A informação foi repassada aos vereadores da Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal, que esteve na Santa Casa na manhã desta segunda-feira (5) após não conseguir realizar uma vistoria no Hospital Universitário.

Os administradores também reclamaram da superlotação causada pelo fechamento de outros serviços de pronto atendimento, como o do próprio HU. Somente nos últimos cinco dias, segundo o presidente da Santa Casa, Wilson Teslenco, o hospital atendeu 115 vítimas de acidentes de trânsito.

Do total, 83 são motociclistas e 32 pacientes ainda estão na fila para cirurgias. “Jão tivemos dias piores, mas atualmente estamos com 590 pessoas internadas no Pronto-Socorro”, disse.

Com relação ao fechamento de leitos na CTI neonatal, Teslenco disse que há tempos o local funcionava com oito vagas. Logo após os donos originais assumirem o hospital, no entanto, a vigilância sanitária teria recomendado o fechamento de duas vagas por falta de espaço físico. O diretor clínico, Heitor Soares de Souza, destaca a importância dos leitos para salvar vidas.

Durante reunião nesta terça-feira (6) com o secretário de Saúde de MS, Antônio Lastoria, os diretores vão tentar a abertura de mais dez leitos na CTI pediátrica. O vereador Paulo Siufi, que acompanhou a visita de hoje, disse que vai se informar na Secretaria de Vigilancia sobre a possibilidade de reabertura das duas vagas de atendimento neonatal.

Terceirização

Outro problema que chamou a atenção da diretoria foi o aumento no número de terceirizações durante o período da intervenção mantida durante os mandatos do PMDB na Prefeitura de Campo Grande. Enquanto em 2004 havia apenas 13 contratos com empresas terceirizadas, os donos originais da Santa Casa receberam o hospital de volta com 86 contratações.