Chaminé da Usina Velha corre risco de desabar; rachaduras são visíveis

Chaminé da Usina Velha corre risco de desabar; rachaduras são visíveis

Estrutura da antiga usina estão desmoronando
foto – Flávio Verão

Com rachaduras, a chaminé da Usina Filinto Müller em Dourados, mais conhecida como Usina Velha, corre o risco de desabar. O problema é antigo e a cada dia que passa as fissuras aumentam, perigo para quem frequenta o local. Tombada como patrimônio histórico em 1991, com a proposta de que o espaço se torna um centro cultural, 28 anos depois um dos únicos símbolos históricos do município está cada vez mais em ruínas.

Construída em 1949, a usina tinha como objetivo, à época, abastecer com energia as casas na região central da cidade. Os equipamentos eram movidos à lenha e depois a diesel. Muitos empregos foram gerados até a chegada da energia elétrica na cidade, no início dos anos 70.

O advogado José Alberto Vasconcellos, membro da Academia Douradense de Letras, testemunhou o fechamento da usina, juntamente com o prefeito da época, Jorge Antônio Salomão (já falecido). Em artigo publicado neste matutino, disse que “quaisquer um dos seus sucessores é o responsável pela Usina Velha”.

Com a chegada da energia elétrica, que coincidiu com o fim do mandato de Salomão, a Usina, conforme escreveu o advogado, “começou a ser desmontada por ladrões e o poder público de então, não demonstrou nenhum interesse em preservá-la”. Nem mesmo os maquinários foram poupados. “Até o motor do submarino, que pesava muitas toneladas, “submergiu” para nunca mais emergir”, escreveu.

Desde a década de 90 se discute um projeto de restauração da usina. Muitas reuniões foram feitas e até o Ministério Público Estadual (MPE) chegou a pedir na justiça que a Prefeitura de Dourados restaurasse o local. No entanto, a justiça entendeu que não se pode obrigar o poder público a promover gastos.

Na gestão do ex-prefeito Murilo Zauith a Secretaria de Cultura, chegou a encaminhar três projetos de revitalização ao PAC Cidades Históricas, do Governo Federal, na tentativa de captar recursos, mas nenhum foi aprovado.

Depois disso não se ouviu mais falar da usina, cuja chaminé de aproximadamente 28 metros apresenta fissuras, mais visíveis do meio até o topo. Aparentemente o problema não é observado pelos frequentadores, já que os problemas estruturais da chaminé só podem ser vistos aos fundos da usina, local que concentra mata fechada e dificulta enxergar as rachaduras entre os tijolos.

O perigo é iminente, pois embora o local até recentemente abrigou diversos eventos como shows, apresentações teatrais, ainda é frequentado, principalmente para registros fotográficos e de artistas locais que trabalham para manter a memória do espaço.

Flávio Verão

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