Caramujos e escorpiões infestam quintais em períodos quentes e chuvosos

Caramujos e escorpiões infestam quintais em períodos quentes e chuvosos

Período de chuva e calor faz aumentar o aparecimento de caramujos e escorpiões. O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) recomenda a população para manter os quintais limpos, para evitar, inclusive, a proliferação do mosquito da dengue. Embora o período seja propício para o aumento de casos, Dourados apresenta baixa incidência.

O caramujo africano (Achatina fulica) é dotado de alta capacidade de reprodução e hoje se disseminou em todo o País. Os impactos para a biodiversidade são evidentes, mas os riscos à saúde pública também preocupam. A prevenção no contato com o animal e o controle das populações do caramujo são fundamentais. Nos ambientes urbanos as populações desses moluscos são densas, invadem e destroem hortas e jardins.

Em Dourados, conforme o CCZ, o número de denúncias relacionadas a caramujos e escorpiões tem reduzido. A Lei municipal 3965 que permite o CCZ notificar donos de imóveis fechados e irregulares de acordo com a Lei da dengue ajudou na redução de índices. Graças a Lei, conforme a Coordenadora do CCZ, Rosana Alexandre da Silva, e a visita domiciliar dos agentes de combate as endemias, além das atividades de educação em saúde, está sendo possível manter índices aceitos de acordo com as normativas municipais, estaduais e federais relacionadas à vigilância em saúde.

No entanto, como o caramujo tornou-se praga, o aparecimento do molusco é comum nessa época do ano. Um exemplar do animal pode colocar uma média de 200 ovos por postura e se reproduzir mais de uma vez ao ano. Ele é resistente durante a seca e quando chove sai para se reproduzir.

Rosa explica que qualquer bairro pode registrar o aparecimento do molusco, principalmente em locais com mato, matéria orgânica em decomposição, lixo, acumulo de matérias de construção, hortas. E o único método que vem mostrando resultados satisfatórios em longo prazo é a coleta manual com uso de luvas e destruição dos animais, após serem armazenados em sacos plásticos e colocados para coleta de lixo.

Esmagá-los no solo não é uma solução, pois segundo a bióloga, isso faz liberar as formas infectantes ao homemde Angiostrongylus sp, um parasita presente no caramujo. As principais doenças causadas pelo molusco são a esquistossomose ou simplesmente barriga d’água, meningite eosinofílica e a estrongiloidíase.

Escorpiões

Nos meses mais quentes e chuvosos (setembro a março) o aumento de acidentes por animais peçonhentos cresce em relação aos demais meses do ano. As estratégias de atuação, junto às populações expostas aos riscos de acidentes, devem incluir noções de prevenção e medidas de atuação frente às ocorrências de acidentes.

Em Dourados, conforme o CCZ, houve o registro de nove casos de acidentes no ano passado, sendo seis de janeiro a março. Fazer o controle do aparecimento do escorpião é a melhor saída, para isso, a recomendação é que na área externa seja mantida a limpeza dos quintais, acondicionamento do lixo domiciliar, com eliminação de fontes de alimentos como baratas, aranhas, insetos em gerais. Deve se evitar ambientes favoráveis como materiais de construção que não serão utilizados, telhas, áreas, cascalhos, tijolos. Também é necessário evitar queimadas em terrenos baldios, remover a matéria orgânica em decomposição. Já as fossas e caixas de gorduras devem estar bem vedadas e paredes externas rebocadas.

Na área interna as paredes também precisam estar rebocadas, para que não apresentem vãos ou frestas. Camas, berços devem estar afastados da parede e soleiras de portas devem ser vedadas com rolos de areia ou rodo de borracha. É recomendado ainda telar aberturas dos ralos, pias ou tanques.

Assim como outros vetores, a bióloga do CCZ diz que os animais peçonhentos preferem locais com ausência de higienização. Dessa forma, a promoção das boas práticas de limpeza favorece a diminuição. “Se tivéssemos que ditar uma moda, hoje, a mesma seria de desapega, de tudo aquilo que não vai utilizar a fim de evitar o escorpião”, conclui

 

Flávio Verão

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