Bezerro em alta eleva custo de produção para o invernista

O preço do bezerro apresenta trajetória de alta em Mato Grosso do Sul, comercializado a R$ 860 a cabeça na primeira quinzena de fevereiro, valor que supera em mais de R$ 100 o preço do mesmo período em anos anteriores. Os números são da unidade técnica da Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Sistema Famasul) e revelam que o atual patamar do bezerro, apesar de motivar o criador de gado, preocupa os invernistas, produtores que se dedicam ao sistema de recria e engorda.

 
O movimento ascendente mostra que mesmo o boi gordo permanecendo valorizado, o custo de produção afeta a rentabilidade do invernista.  Entre primeiro e 15 de fevereiro, a cotação do boi gordo registrou média de R$ 107,91 a arroba, nas negociações à vista, um recorde para o período.
 
De acordo com o diretor secretário da entidade, Ruy Fachini, o momento é ideal para que o pecuarista se dedique mais à gestão da propriedade e adote um sistema de controle de custos. “Apesar dos bons resultados para o produtor, o preço do bezerro também valorizado se reflete nos custos de produção do invernista. Desse modo, os efeitos da elevação na arroba do boi gordo não chegam ao bolso de quem não coloca tudo na ponta do lápis”, ressaltou.
 
Para se ter uma ideia do impacto da alta do bezerro,  atualmente o produtor consegue comprar 2,13 bezerros com a venda de um boi gordo, considerando a arroba do boi a R$ 107,91 e o bezerro a R$ 860 a unidade. Esta relação de troca representa queda de 4% no poder de compra do produtor em comparação a 2011. Naquele ano, a equivalência era de 2,22 bezerros por boi, com a arroba a uma média de R$ 94,81 e o bezerro a R$ 725,3 a unidade.
 
“Com essa relação conseguimos perceber que o produtor continua com sua planilha apertada e que a arroba ainda precisa e tem espaço para novas elevações de preço”, reforça Fachini, dando ênfase ao fato de que a demanda, tanto interna quanto externa, continuará aquecida diante da Copa do Mundo que elevará o consumo de carne bovina brasileira.
 Sobre o Sistema Famasul – O Sistema Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de MS) é um conjunto de entidades que dão suporte para o desenvolvimento sustentável do agronegócio e representam os interesses dos produtores rurais de Mato Grosso do Sul. É formado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Fundação Educacional para o Desenvolvimento Rural (Funar), Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja/MS) e pelos sindicatos rurais do Estado.
            O Sistema Famasul é uma das 27 entidades sindicais que integram a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Como representante do homem do campo, põe seu corpo técnico a serviço da competitividade da agropecuária, da segurança jurídica e da valorização do homem do campo. O produtor rural sustenta a cadeia do agronegócio, respondendo diretamente por 17% do PIB sul-mato-grossense.