ABSURDO: Mulher torturada e expulsa de casa com 4 filhos não quis ir para abrigo

Vítima ainda pode ir para abrigo (Foto: Marcos Ermínio)Após procurar a polícia para denunciar as agressões sofridas pelo ex-marido, a paraguaia Lúcia Helena Martinez Estecher, 26 anos, torturada e expulsa do lar com quatro filhos, recusou ajuda para ficar hospedada em uma casa abrigo do Estado. Ela recebeu um primeiro atendimento do poder público, como alimentos e fraldas, e decidiu voltar para casa.

“Ela procurou o primeiro atendimento na delegacia, que podia encaminhá-la para um abrigo. Mas a partir do momento em que ela não quer ficar abrigada, defendida do agressor, e voltar para casa, não podemos fazer nada”, disse a secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Jaqueline Hildebrand Romero.

No entanto, a situação pode ser revertida assim que a vítima sentir necessidade. De acordo com a subsecretária da Mulher e da Promoção da Cidadania de Mato Grosso do Sul, Tai Loschi, a situação ainda é tratada como um caso policial.

“Todos estamos preparados para esse atendimento, independente da nacionalidade estrangeira. A Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres começou o atendimento no fim de semana, na área social. Agora estou aguardando análise da documentação para tomar devidas providências para ver se ela aceita o abrigamento ou não”, disse.

Tai ainda contou que a Subsecretaria da Mulher dá todo um apoio à vítima na área da documentação. “É um caso que envolve a Polícia Federal, o Consulado Paraguaio, o Conselho Tutelar, pelo fato de ela ter filhos, e temos contato com todos esses órgãos para regularizar a situação dela e depois abrigá-la ou encaminhá-la ao País de origem, conforme a vontade dela”, explicou.

Já Jaqueline emendou dizendo que o Cras (Centro de Referência de Assistência Social) vem auxiliando Lúcia desde a semana passada. “A Secretaria de Assistência Social, em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres, deu assistência a ela. Em um primeiro momento, ela recebeu alimentos e fraldas. O próximo passo é ver a questão da regularização no Brasil e na Polícia Federal”, explicou.